A maioria governista na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS tem barrado tentativas da oposição de convocar personagens apontados pela Polícia Federal como peças fundamentais no suposto esquema de fraudes em aposentadorias. Na lista de requerimentos rejeitados estão o ex-funcionário Edson Claro Medeiros Júnior e o empresário Gustavo Marques Gaspar, ambos ligados ao operador Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Votação apertada impede depoimento de ex-assessor do “Careca”
No dia 2 de outubro, por 16 votos a 14, a base aliada derrubou o pedido de convocação de Medeiros Júnior, citado em relatórios da PF como testemunha das entregas de malas de dinheiro e da tentativa de ocultar bens de luxo. O relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), defendeu a oitiva alegando que o ex-funcionário estaria disposto a apresentar documentos, mas foi vencido pela articulação governista.
Parlamentares do PT justificaram o veto afirmando que a disputa seria de caráter pessoal. “Aqui não é delegacia nem palco para espetáculo midiático”, disse o deputado Paulo Pimenta (PT-RS). A oposição promete reapresentar o requerimento.
Empresário ligado a senador também permaneceu blindado
Em setembro, destino semelhante teve o empresário Gustavo Marques Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e proprietário da GM Gestão Ltda. A PF aponta que Gaspar concedeu procuração bancária ampla a Rubens Oliveira Costa, identificado como “homem da mala” do esquema. Mesmo assim, o pedido para ouvi-lo foi rejeitado por 15 votos contra 13.
Em nota, Weverton Rocha sustentou que a nomeação de Gaspar teve “caráter estritamente político”. Gaspar negou qualquer movimentação irregular de recursos.
Familiares do “Careca” quebram resistência
A estratégia de blindagem começou a ruir após a comissão aprovar a ida de Tânia Carvalho dos Santos e Romeu Carvalho Antunes, esposa e filho de Antunes. A convocação, aprovada para esclarecer movimentações de mais de R$ 50 milhões e negócios de imóveis de luxo — um deles negociado por R$ 353 milhões entre 2023 e 2024 —, acabou levando o próprio “Careca” a depor em 25 de setembro.
Irmão de Lula pode ser votado na próxima semana
O próximo embate deve ocorrer em 16 de outubro, quando será analisada a convocação de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi). A oposição apresentou documento da Controladoria-Geral da União que aponta omissão do nome de Frei Chico no quadro diretivo da entidade durante a renovação de acordo com o INSS em 2023.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que levará o pedido a voto. “É urgente esclarecer a participação do Frei Chico”, declarou.
Enquanto governo e oposição contam votos, os parlamentares favoráveis às convocações prometem reapresentar requerimentos para ouvir os investigados e rastrear o fluxo de recursos desviados.
Com informações de Gazeta do Povo