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Banco Central questiona STF sobre acareação com controlador do Banco Master

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O Banco Central (BC) protocolou embargos de declaração no Supremo Tribunal Federal (STF) para obter esclarecimentos sobre a acareação marcada para a próxima terça-feira, 30 de dezembro, entre o diretor de Fiscalização da autarquia, Ailton de Aquino Santos, o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.

O recurso foi apresentado na sexta-feira, 26, e questiona a natureza e a urgência do ato determinado pelo ministro Dias Toffoli. A medida contraria parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), cujo chefe, Paulo Gonet, solicitou o cancelamento da acareação por considerá-la prematura. Segundo o Código de Processo Penal, o procedimento só deveria ocorrer após depoimentos individuais, quando houver divergências entre as versões.

Toffoli decidiu manter a acareação por entender que já existem informações suficientes para o confronto dos depoentes.

Investigação sob sigilo

O inquérito, que corre em segredo de Justiça, investiga possíveis irregularidades em uma operação estimada em R$ 12,2 bilhões, relacionada à tentativa de venda do Banco Master ao BRB. A transação foi suspensa depois que o BC apontou indícios de problemas de integridade nos dados apresentados.

Em 18 de novembro, o Banco Master foi colocado em liquidação extrajudicial pelo BC. No mesmo dia, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de emissão e negociação de títulos de crédito sem lastro, repassados a diversas instituições, inclusive o BRB.

Dúvidas apresentadas pelo BC

De acordo com documentos obtidos pela imprensa, a Procuradoria-Geral do BC listou quatro pontos que considera essenciais:

  • Quais controvérsias serão tratadas na acareação entre o diretor do BC e os investigados?
  • Em que condição Ailton de Aquino Santos foi intimado: acusado ou testemunha, e se representa o BC ou fala em caráter pessoal?
  • Por que os esclarecimentos precisam ocorrer presencialmente, em vez de serem prestados por escrito?
  • Qual a razão da urgência para realizar o ato durante o recesso do Judiciário, antes mesmo de depoimentos individuais?

No recurso, o Banco Central afirma que não se opõe a cumprir a determinação, mas pede detalhes para evitar o que chama de “armadilhas processuais”.

Com informações de Gazeta do Povo