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Banco Central relata fraudes do Banco Master ao MPF e alerta TCU para riscos de reverter liquidação

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Brasília – O Banco Central (BC) informou ao Tribunal de Contas da União (TCU) que comunicou ao Ministério Público Federal (MPF) indícios de crimes envolvendo o Banco Master, liquidado extrajudicialmente em 25 de novembro. Na resposta enviada na última segunda-feira, a autoridade monetária sustenta que anular a liquidação colocaria em risco a estabilidade do sistema financeiro.

O documento sigiloso, obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo, lista “profunda e crônica” crise de liquidez e reiteradas violações às normas como motivos centrais da intervenção. No mesmo dia da liquidação, o BC protocolou nova notícia-crime no MPF por suspeitas de gestão fraudulenta, operações simuladas ou sem lastro e artifícios para dar aparência de legalidade a transações sem substância econômica.

Segundo o BC, os recursos do Master eram “reciclados” por meio de uma cadeia de fundos e sociedades interpostas, prática que fere princípios de transparência e segregação fiduciária e pode configurar fraude. A autarquia afirma ter esgotado alternativas antes da medida extrema, incluindo negociação com o Banco de Brasília (BRB), descartada após surgirem suspeitas sobre a promessa de rentabilidade acima da média e o argumento de que eventuais perdas seriam cobertas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

A liquidação provocou reação em Brasília. No TCU, o ministro Jhonatan de Jesus apontou “demora relevante” nas tratativas e “precipitação” na adoção da medida. No Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Dias Toffoli classificou as investigações no segundo maior grau de sigilo e chegou a determinar uma acareação entre o dono do banco, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor do BC Ailton Aquino — recuando na véspera para que a Polícia Federal colhesse depoimentos prévios. A acareação ocorreu na noite de terça-feira apenas com Vorcaro e Costa.

Outro magistrado citado é Alexandre de Moraes. O escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, mantinha contrato de R$ 129 milhões com o Master. Reportagem do Estadão apontou que Moraes teria procurado o presidente do BC, Gabriel Galípolo, para tratar da possível compra do banco pelo BRB; ambos negam as conversas.

Com informações de Gazeta do Povo