A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga irregularidades em descontos de aposentados e pensionistas estuda convocar José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele é vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), entidade que viu sua arrecadação anual saltar de R$ 23 milhões para R$ 154 milhões — um aumento superior a 500% — desde 2023.
Os valores, segundo a CPMI, têm origem em repasses do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) obtidos por meio de descontos em benefícios sem autorização da maioria dos filiados. Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) apontam que 96% dos aposentados vinculados ao Sindnapi negam ter assinado autorização para as cobranças.
Quebra de sigilos em pauta
O presidente do Sindnapi, Milton Baptista, conhecido como “Milton Cavalo”, compareceu à CPMI, mas invocou o direito ao silêncio quando questionado sobre movimentações financeiras, a participação de Frei Chico e o relacionamento da entidade com o governo federal. Mesmo assim, parlamentares articulam a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos dirigentes do sindicato.
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), classificou o Sindnapi como parte de uma “organização criminosa” e acusa a entidade de ter descontado cerca de R$ 600 milhões de beneficiários sem consentimento.
Participação de Frei Chico
Frei Chico tornou-se vice-presidente do sindicato no mesmo período em que Lula reassumiu a Presidência da República. Desde então, foi presença constante em agendas do Sindnapi com ministros e outros integrantes do alto escalão. A defesa do sindicato afirma que o irmão do presidente não exercia funções administrativas ou financeiras, atuando apenas de forma política e simbólica.
No início do escândalo, Frei Chico declarou que “não devemos m. nenhuma” e defendeu uma investigação “ampla e rigorosa”. Depois, limitou-se ao silêncio. Caso a convocação seja aprovada, ele deverá explicar sua atuação à comissão.
Imagens retiradas dos canais oficiais
Parlamentares também questionam a exclusão de fotos e vídeos que mostravam Frei Chico em eventos do Sindnapi ou ao lado de autoridades. Segundo a CPMI, galerias inteiras foram removidas dos canais oficiais do sindicato após a abertura das investigações.
A lei proíbe que parentes de autoridades em cargo público participem da diretoria de entidades que mantêm relação com o governo. A CPMI investiga se houve fraude para ocultar a presença do irmão de Lula na composição do sindicato.
Os parlamentares devem decidir nas próximas sessões se convocam Frei Chico para depor e quando votarão a quebra de sigilos dos dirigentes. Até lá, a comissão segue analisando documentos da CGU e do Banco Central sobre os repasses questionados.
Com informações de Gazeta do Povo