O sucesso popular da operação policial contra o Comando Vermelho, realizada na última semana com autorização da Justiça, devolveu o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), ao centro das articulações para uma vaga no Senado em 2026. O chefe do Executivo fluminense havia cogitado permanecer no cargo até o fim do segundo mandato e não entrar na corrida eleitoral, mas os novos índices de aprovação o incentivam a reconsiderar a decisão.
Pesquisas mostram salto na popularidade
Levantamento da Quaest divulgado em 1.º de novembro aponta que a aprovação de Castro no estado subiu de 43% em agosto para 53% em outubro. Na capital, o índice avançou de 32% para 47%. Em segurança pública, 39% avaliaram positivamente a gestão após a chamada operação Contenção, quase o dobro dos 22% registrados dois meses antes.
O Datafolha revelou, no mesmo fim de semana, que 40% dos entrevistados na cidade do Rio e na região metropolitana classificam o governo como ótimo ou bom — maior patamar desde 2022. Outros 34% consideram a administração ruim ou péssima.
Operação Contenção impulsiona imagem
A ação policial, considerada a mais letal da história fluminense, apreendeu 118 armas — 93 delas fuzis — e resultou em mais de 110 prisões. Segundo o governo estadual, 121 suspeitos morreram. O desempenho ganhou respaldo popular e ampliou o alcance de Castro nas redes sociais: o perfil do governador no Instagram ganhou cerca de 1,5 milhão de seguidores após a operação.
Dobradinha com Flávio Bolsonaro
Com dois assentos ao Senado em disputa no Rio em 2026, dirigentes do PL passaram a defender uma chapa que reúna Castro e o senador Flávio Bolsonaro, que buscará a reeleição. O líder do partido na Assembleia Legislativa (Alerj), deputado Filippe Poubel, afirma que o governador “não tem discutido” o projeto, mas avalia que a popularidade conquistada tende a se converter em votos.
O líder do governo na Alerj, deputado Rodrigo Amorim (União Brasil), avalia a candidatura como “viável e competitiva”, sobretudo após o reforço da agenda de segurança pública.
Possíveis obstáculos
Castro enfrenta um processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por suposto abuso de poder político e econômico na campanha de 2022. A relatora, ministra Isabel Gallotti, votou pela cassação e inelegibilidade do governador em 4 de novembro, mas o julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Antonio Carlos Ferreira.
Nos bastidores, o comando nacional do PL, liderado por Valdemar Costa Neto, também acena a uma possível aliança com o prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) para o governo estadual, movimento que pode alterar o tabuleiro eleitoral.
Sucessão no Palácio Guanabara
Caso concorra ao Senado, Castro precisará deixar o cargo até abril de 2026. Com isso, o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), assumiria o governo e passaria a ser o nome do grupo para a sucessão estadual.
Metodologia dos levantamentos
A pesquisa Quaest ouviu 1.500 eleitores no Rio de Janeiro em 30 e 31 de outubro, com margem de erro de três pontos percentuais e 95% de confiança. O Datafolha entrevistou 626 moradores da capital e da região metropolitana, por telefone, nas mesmas datas; a margem de erro é de quatro pontos percentuais, também com 95% de confiança.
Com a repercussão positiva da operação e o crescimento nas sondagens, Cláudio Castro volta a ser tratado como peça-chave na estratégia do PL para manter a influência da direita fluminense nas eleições de 2026.
Com informações de Gazeta do Povo