Brasília – 18/02/2026, 11h46. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, indicado ao cargo em 2021 pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), passou a ocupar posição estratégica no tabuleiro político ao reunir três frentes de grande impacto eleitoral: a relatoria do inquérito que investiga o Banco Master, o comando das apurações sobre fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a vice-presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante o pleito presidencial de 2026.
Herdeiro do caso Master
Mendonça recebeu, na semana passada, a relatoria do processo que apura supostas irregularidades no Banco Master, substituindo o ministro Dias Toffoli, nomeado para o STF por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A mudança devolveu a Mendonça o poder de revisar decisões de Toffoli que concentraram a investigação no STF, e não na primeira instância, o que havia motivado críticas de corporações policiais e de parte do Congresso.
Em sessão reservada realizada em 12 de fevereiro, Mendonça classificou as suspeitas de envolvimento de Toffoli com o banco como “crise de institucionalidade” e sustentou que seis minutos de conversa registrados pela Polícia Federal (PF) não configurariam intimidade entre o ministro e executivos do Master. Após o encontro, Mendonça reuniu-se com delegados para conhecer em detalhes a investigação e prestou informações sobre participação societária em empresa privada, numa tentativa de blindar-se contra questionamentos.
Policiais que acompanham o caso afirmam que o novo relator está sob pressão de colegas do STF e podem temer restrições às diligências que envolvam magistrados. Já parlamentares da oposição enxergam a troca como chance de maior rigor técnico. O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPI do INSS, e os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG), Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Gustavo Gayer (PL-GO) elogiaram publicamente a redistribuição.
Fraudes no INSS na mira do ministro
Além do processo do Banco Master, Mendonça conduz o inquérito sobre fraudes que teriam causado prejuízos bilionários ao INSS e impactado milhões de aposentados. Ele determinou prisões preventivas de suspeitos e solicitou relatórios detalhados à Controladoria-Geral da União (CGU) e ao Tribunal de Contas da União (TCU).
Papel decisivo no TSE
A partir de junho, Mendonça assumirá a vice-presidência do TSE, enquanto Kássio Nunes Marques, também indicado por Bolsonaro, ocupará a presidência. Caberá à dupla fiscalizar o processo eleitoral, julgar registros de candidatura e analisar denúncias de propaganda antecipada.
Entre os primeiros temas sob exame estará o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói em 15 de fevereiro, no Rio de Janeiro, transmitido em rede nacional e dedicado ao presidente Lula. Partidos e líderes religiosos acusam o evento de abuso de poder político e econômico, uso de recursos públicos e intolerância religiosa. Antes do Carnaval, Mendonça havia alertado para possível violação da legislação eleitoral, que só autoriza propaganda a partir de 5 de julho.
O Partido Novo tentou impedir o desfile com liminar, mas o TSE – por decisão da ministra Estela Aranha, indicada por Lula – rejeitou o pedido para evitar censura prévia. Com o evento realizado, novas provas serão anexadas ao processo. Caso a Corte entenda ter havido propaganda ilegal, multas que variam de R$ 5 mil ao custo integral da divulgação podem atingir a escola de samba, o PT e o próprio Lula. Especialistas preveem julgamento apenas depois da eleição.
Pedidos de habeas corpus para Bolsonaro
Mendonça também é relator de habeas corpus apresentados por terceiros em favor de Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos no Complexo da Papuda desde 2025 pela suposta tentativa de golpe de Estado. Pelo entendimento consolidado do STF, um ministro não pode anular decisão individual de outro colega por meio de HC, o que indica provável indeferimento técnico dessas petições.
Críticas ao STF e pressão por impeachment
A perda da relatoria do caso Master por Toffoli reacendeu discussões sobre a credibilidade da Corte. O cientista político Ismael Almeida defendeu o impeachment de Toffoli, afirmando que suspeitas contra ministros minam a confiança pública e exigem reação do Senado para reequilibrar os Poderes. Partidos do Centrão, como PP e União Brasil, consideraram a ida do processo para Mendonça um “mal menor”, capaz de reduzir tensões entre STF e PF.
Com três processos de grande repercussão sob sua responsabilidade e assento na cúpula da Justiça Eleitoral, André Mendonça tornou-se peça central no xadrez político de 2026, observado com expectativa por governo, oposição e comunidade jurídica.
Com informações de Gazeta do Povo