Brasília — O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira, 16 de março de 2026, que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS não tenha acesso aos dados e objetos de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, guardados na sala-cofre do Senado Federal.
Na decisão, Mendonça ordena à Polícia Federal que retire do local, “com extrema urgência”, todo material “exclusivamente ligado à vida privada” do investigado. A medida integra investigação para descobrir qual deputado, senador ou assessor quebrou o sigilo funcional ao vazar informações protegidas do colegiado.
Suspeita de gravação clandestina
Apesar da restrição imposta pelo STF, foi registrado que um assessor teria entrado na sala-cofre usando óculos com câmera embutida, levantando nova suspeita de violação de sigilo.
Acusações contra Vorcaro
Vorcaro é acusado de emitir títulos de crédito fraudulentos que teriam movimentado cerca de R$ 12 bilhões. Investigações subsequentes apontaram indícios de uma milícia privada destinada a vigiar e intimidar opositores. As revelações foram acompanhadas do suicídio, na prisão, de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”.
Contatos de autoridades nos arquivos
A quebra de sigilo telemático do banqueiro revelou contatos de autoridades como o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB); o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP); os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli; além da advogada Viviane Barci, esposa de Moraes, e do advogado Mágino Alves Barbosa Filho. Entre as mensagens constava ainda conversa com a então namorada de Vorcaro, a influenciadora Martha Graeff, ponto usado pela defesa para questionar a violação de privacidade.
Disputa política sobre novas comissões
Oficialmente, a CPMI do INSS quer apurar possível ligação entre a fraude do Banco Master e esquemas de descontos associativos irregulares no Instituto Nacional do Seguro Social. Paralelamente, parlamentares articulam a criação de uma comissão específica para investigar o Banco Master, mas Motta e Alcolumbre indicam que pretendem adiar o tema. Motta afirmou que os requerimentos ficarão no fim da fila — atrás de outros 15 pedidos de CPI — enquanto Alcolumbre negocia com a oposição para evitar que a CPMI do INSS seja pautada em troca de votar o veto presidencial ao projeto de lei da dosimetria.
Por se tratar de uma comissão mista, a CPMI precisa ser incluída na ordem do dia da próxima sessão conjunta do Congresso.
Com informações de Gazeta do Povo