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Em ano eleitoral, Alcolumbre ameaça travar votações de projetos que elevam gastos públicos

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Brasília — O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou nesta terça-feira (9) que poderá suspender a análise de todas as propostas que reajustam pisos salariais ou ampliam despesas do governo federal em 2026. Segundo o parlamentar, em período de campanha não é possível escolher quais categorias beneficiar; portanto, “ou voto todos, ou não voto nenhum”.

Alcolumbre declarou, durante sessão no plenário, que 31 projetos estão prontos para ir a voto, mas que a União não teria condições de arcar com o impacto financeiro caso todos sejam aprovados. “Se colocarmos em votação, todo mundo vai dizer ‘sim’ e precisaremos de dez Brasis para pagar a conta”, afirmou.

Propostas na fila

Entre os textos aguardando deliberação estão: a PEC que concede aposentadoria especial a agentes comunitários de saúde, a PEC que amplia o repasse mínimo ao Sistema Único de Assistência Social (SUAS), o projeto de lei que trata da renegociação das dívidas de produtores rurais e o novo piso salarial de médicos e dentistas.

Apreensão no Ministério da Fazenda

Mais cedo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reuniu-se com Alcolumbre para pedir que o Congresso evite pautas com elevado impacto orçamentário. De acordo com estimativas da equipe econômica, o conjunto das chamadas “pautas-bomba” poderia adicionar R$ 270 bilhões em despesas nos próximos anos.

“Estou muito triste de ficar dizendo aos colegas que não posso pautar, porque o Estado brasileiro não vai resistir”, lamentou o senador. Ele reforçou que concorda com as reivindicações das categorias, mas questionou a origem dos recursos: “Vamos conseguir pagar? Qual será a fonte de arrecadação?”

Apoio do governo no Senado

O líder do governo na Casa, Jaques Wagner (PT-BA), solidarizou-se com Alcolumbre. “Todas as categorias são merecedoras, porém precisamos ter equilíbrio”, disse, defendendo cautela nas votações que podem pressionar o Orçamento.

Sem acordo, o impasse pode adiar indefinidamente a análise das propostas que, segundo Alcolumbre, só voltarão à pauta se houver viabilidade fiscal ou consenso para apreciar todas elas simultaneamente.

Com informações de Gazeta do Povo