O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin (PSB), acusou o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o jornalista Paulo Figueiredo de atuarem nos Estados Unidos contra os interesses nacionais ao defender sanções ao Brasil. A declaração foi feita na quarta-feira, 20 de agosto de 2025, um dia antes da publicação desta matéria.
Na mesma data, a Polícia Federal indiciou Eduardo Bolsonaro e o ex-presidente Jair Bolsonaro por suposta coação no curso do processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Diálogo com Trump
Alckmin afirmou que o governo pretende avançar nas negociações para derrubar a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos às importações brasileiras. Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversará com o presidente norte-americano Donald Trump “quando o quadro estiver mais bem esclarecido”.
“Infelizmente, alguns maus brasileiros ficam lá fora trabalhando contra o país, prejudicando emprego, empresas, produção e exportação, levando informações equivocadas. O presidente Lula falará com o presidente Trump quando a situação estiver clara. Conversa de chefe de Estado precisa ser preparada”, disse Alckmin à GloboNews.
Dificuldades de interlocução
O vice-presidente relatou que a última reunião com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, ocorreu há algumas semanas e indicou obstáculos no diálogo bilateral. Ele citou ainda o cancelamento unilateral de uma conversa entre o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Dias depois, Bessent apareceu em foto ao lado de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo.
“Não há justificativa para essa tarifa, o Brasil está sendo injustiçado. A orientação do presidente Lula é diálogo, diálogo, diálogo”, reforçou.
Alckmin classificou como “inaceitáveis” as exigências de Trump para que o Brasil suspenda o processo contra Jair Bolsonaro em troca da revisão da tarifa, mas disse acreditar em avanços por meio dos canais técnicos mantidos entre os dois governos.

Imagem: Marcelo Camargo via gazetadopovo.com.br
Efeito de nova taxação global
O vice-presidente destacou que a mudança anunciada nesta semana pelos EUA na taxação de produtos que contêm aço e alumínio — enquadrados na Seção 232 — acabou beneficiando parte das exportações brasileiras. Exceto o Reino Unido, todos os demais países pagarão a mesma alíquota.
“Isso atinge US$ 2,6 bilhões das nossas exportações. Podemos dizer que 6,4% do que vendemos melhorou de ontem para hoje. A alíquota é alta, mas agora é igual para todo mundo”, afirmou.
Apoio a empresas afetadas
O governo, segundo Alckmin, definirá um critério de corte para conceder ajuda às empresas mais prejudicadas pela tarifa de 50%. A prioridade será para indústrias fortemente dependentes do mercado norte-americano, sobretudo aquelas cujos produtos são customizados para compradores dos Estados Unidos.
Com informações de Gazeta do Povo