Brasília — O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou neste sábado (14) que o governo federal mantém “compromisso inabalável” com o combate ao trabalho forçado, rebatendo a decisão dos Estados Unidos de abrir uma investigação sobre mercadorias brasileiras vendidas ao mercado norte-americano.
A apuração, conduzida pela administração do presidente Donald Trump, envolve cerca de 60 países exportadores. O objetivo é verificar se produtos que entram nos EUA são fabricados com utilização de mão de obra análoga à escravidão ou submetidos a condições laborais abusivas.
“Ninguém tem mais compromisso em combater o trabalho forçado do que o governo brasileiro”, declarou Alckmin durante agenda no Distrito Federal. O vice-presidente destacou que o país adota políticas de fiscalização “rígidas” e cumpre tratados internacionais que proíbem esse tipo de prática.
Risco de sanções comerciais
Caso a investigação comprove irregularidades, Washington avalia impor tarifas adicionais a itens de nações que, segundo o governo norte-americano, pratiquem concorrência desleal. A medida pode afetar setores exportadores brasileiros se forem identificadas violações.
Clima de tensão diplomática
A abertura do inquérito ocorre em meio a recentes atritos entre Brasília e Washington. Na sexta-feira (13), o Itamaraty revogou o visto do conselheiro norte-americano Darren Beattie, que viajaria ao país para participar do Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos e visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou ter barrado a entrada de Beattie: “Ele foi proibido de vir enquanto não liberarem os vistos do nosso ministro da Saúde”, disse Lula em evento no Rio de Janeiro. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o visto foi cancelado por “omissão e falseamento de informações” sobre o real motivo da viagem.
Beattie pretendia acompanhar as discussões sobre minerais estratégicos, tema que integra a negociação para uma possível visita de Lula a Trump até o fim do mês.
Última atualização: 15/03/2026 às 15h21.
Com informações de Gazeta do Povo