A Polícia Federal (PF) incluiu o advogado Martin De Luca, representante da Trump Media Group e da plataforma Rumble, no relatório final que apura a conduta do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O documento, concluído em 21 de agosto de 2025, descreve contatos frequentes entre o ex-chefe do Executivo e o jurista, envolvendo orientações jurídicas, notas públicas e pedidos de entrevista.
De Luca patrocina ações contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em cortes dos Estados Unidos. Segundo a PF, conversas extraídas do telefone celular de Bolsonaro indicam “convergência de interesses” entre ambos, com o objetivo de ampliar críticas ao STF e, em especial, ao magistrado.
Troca de mensagens
Em 13 de julho, Bolsonaro encaminhou ao advogado uma minuta de texto que exaltava carta do ex-presidente norte-americano Donald Trump ao presidente Lula sobre tarifas de importação. No áudio que acompanhava o documento, pediu que De Luca revisasse o conteúdo.
No dia seguinte, 14 de julho, o advogado enviou ao ex-mandatário cópia da petição já protocolada nos EUA por Trump Media e Rumble contra Moraes. Também prometeu um “resumo” para aprimorar a comunicação sobre o chamado “tarifaço”.
Outra mensagem mostra Bolsonaro afirmando que a solução para o tema seria “anistia/liberdade Jair Bolsonaro”. Dias depois, a PF encontrou uma versão impressa da petição na residência do ex-presidente.

Imagem: Reprodução via gazetadopovo.com.br
Indícios apontados pela PF
Para os investigadores, o diálogo sugere desvio de finalidade na ação movida pelas empresas contra Moraes. O relatório ainda classifica a conduta de Bolsonaro como possível crime de coação no curso do processo (artigo 344 do Código Penal) e de obstrução de investigação relativa a organização criminosa.
Resposta de Martin De Luca
Em nota publicada na rede X na quinta-feira, 21 de agosto, De Luca acusou Moraes de promover “incansável campanha de censura” e declarou que continuará atuando “de forma transparente e profissional” nos tribunais norte-americanos. Segundo ele, a responsabilização do ministro não virá de relatórios policiais, mas das decisões judiciais nos Estados Unidos.
Com informações de Gazeta do Povo