Brasília – A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura fraudes em descontos na folha de aposentados ouviu, nesta quinta-feira (18/09/2025), o advogado Nelson Wilians, sócio de um dos maiores escritórios do país. Amparado por decisão do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), Wilians exerceu o direito de permanecer em silêncio na maior parte das perguntas.
Parlamentares questionaram o advogado sobre operações financeiras apontadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou movimentação atípica de aproximadamente R$ 4,3 bilhões entre 2019 e 2024 nas contas do escritório. Investigadores relacionam parte desses valores a suspeitos já presos, como Maurício Camisotti e Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
Em depoimento de abertura, Wilians afirmou: “Não possuo relação com os fatos investigados por esta CPMI. Jamais me envolveria em algo tão sórdido”. Ele disse não ter vínculo com o “Careca do INSS” e classificou a relação com Camisotti como “profissional e de amizade”.
Transações sob escrutínio
Documentos da Polícia Federal mencionados por integrantes da CPMI indicam transferências de R$ 28 milhões entre Wilians e Camisotti, além da compra de um terreno por R$ 22 milhões, negócios que o advogado se recusou a explicar.
Na semana anterior, a PF pediu a prisão preventiva de Wilians, mas o STF negou a medida.
Suposta intermediação de José Dirceu
O relator Alberto Gaspar (União-AL) indagou se o ex-ministro petista José Dirceu teria ajudado Wilians a firmar contrato de advocacia com o Banco do Brasil há cerca de dez anos. Sem apresentar provas, Gaspar ouviu novo silêncio do depoente. A defesa de Dirceu não retornou aos contatos da comissão.
O deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) afirmou que o recuo de Wilians após a pergunta sobre Dirceu “aumenta as suspeitas” acerca de suas relações políticas.
Veículos de luxo e sociedade oculta
Van Hattem também mencionou indícios de que uma empresa com participação de 20% no NW Group teria adquirido 23 carros de luxo para ocultar recursos desviados de aposentados, acusação não respondida pelo advogado.
Gaspar ainda questionou se Wilians seria sócio oculto de uma associação investigada por reter valores de benefícios do INSS, mas novamente não obteve resposta.
Dois integrantes da CPMI ouvidos reservadamente consideram prematuro convocar José Dirceu, alegando que contratos do Banco do Brasil não são alvo direto das investigações no momento.
Com o depoimento inconclusivo, a comissão estuda novas quebras de sigilo e a convocação de outros nomes ligados ao esquema.
Com informações de Gazeta do Povo