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Advogado confirma morte de “Sicário”, detido na Operação Compliance Zero

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Belo Horizonte (MG) – Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, 32 anos, conhecido como “Sicário”, morreu na sexta-feira, 6 de março, às 18h55, após dois dias internado em estado grave no Hospital João XXIII. A informação foi confirmada pelo advogado Robson Lucas da Silva, que integra a equipe de defesa do investigado.

Segundo nota encaminhada pelos defensores, o óbito foi declarado depois do encerramento do protocolo de morte encefálica iniciado às 10h15 do mesmo dia. O corpo será encaminhado ao Instituto Médico-Legal, conforme determina a legislação.

Prisão e investigação

Mourão havia sido preso na quarta-feira, 4, durante um desdobramento da Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. Na mesma ação, a Polícia Federal prendeu novamente o banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como líder da organização criminosa investigada.

De acordo com a PF, “Sicário” exercia função central no grupo: obtenção de informações sigilosas, monitoramento de alvos e intimidação de críticos ou rivais. Relatórios indicam que ele poderia receber cerca de R$ 1 milhão mensais pelos serviços.

Tentativa de suicídio sob custódia

A corporação informou que, ainda na noite de quarta-feira, Mourão atentou contra a própria vida na Superintendência Regional da PF em Minas Gerais. Ele foi encontrado inconsciente na cela, tendo utilizado a camiseta para se enforcar. Agentes do Grupo de Pronta Intervenção tentaram reanimá-lo por aproximadamente 30 minutos e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, que o levou ao hospital.

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, declarou que a ação foi inteiramente registrada por câmeras, “sem pontos cegos”. No dia seguinte, a corporação abriu inquérito para apurar as circunstâncias da custódia.

Atuação da organização

Conforme as investigações, Mourão articulava a chamada “Turma”, dividida em quatro núcleos. O grupo, que se comunicava por WhatsApp, contava também com um policial federal aposentado e é suspeito de invadir bases de dados da PF, do Ministério Público Federal e de órgãos internacionais como FBI e Interpol, usando credenciais de terceiros.

Os alvos responderão por fraudes financeiras, corrupção, ocultação de patrimônio, intimidação e obstrução de Justiça. Conversas extraídas do celular de Vorcaro descrevem o envolvimento de Mourão em planos de violência, inclusive contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Em nota, o banqueiro negou intenção de ameaçar profissionais de imprensa e afirmou que as mensagens foram “tiradas de contexto”.

Com a morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o inquérito sobre o suposto papel de “Sicário” nas atividades da organização criminosa deve prosseguir contra os demais investigados.

Com informações de Gazeta do Povo