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Ação da PF contra chefe da Amprev eleva pressão sobre Alcolumbre para abrir CPMI do Banco Master

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Brasília e Macapá – A Operação Zona Cinzenta, deflagrada pela Polícia Federal na manhã de sexta-feira (6.fev.2026), avançou sobre o escândalo das aplicações de quase R$ 400 milhões da Amapá Previdência (Amprev) no Banco Master e deslocou a crise para o centro do Senado. O principal alvo é o diretor-presidente da autarquia, Jocildo Silva Lemos, indicado ao cargo após atuar como tesoureiro em campanhas do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Investimentos sob suspeita

A PF apura três aportes feitos em julho de 2024, aprovados em menos de 20 dias, mesmo após alertas de risco do Ministério Público Federal (MPF) e do Tribunal de Contas da União (TCU). Dois membros do Comitê de Investimentos da Amprev votaram contra as operações e pediram nova consulta ao TCU, mas foram voto vencido.

Segundo as investigações, as aplicações em letras financeiras do Master representam cerca de 4,7 % do patrimônio da previdência estadual. Os agentes cumpriram quatro mandados de busca e apreensão na sede da Amprev, em Macapá, expedidos pela 4ª Vara Federal.

Alcolumbre fora do inquérito, mas sob pressão política

Alcolumbre não é investigado. Em nota, disse confiar nas instituições e defender apuração com “transparência e respeito ao devido processo legal”. Mesmo assim, a operação reforçou a cobrança para que ele leia em plenário o requerimento de instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o caso. O pedido reúne 281 assinaturas e aguarda apenas a convocação de sessão do Congresso, prerrogativa do presidente do Senado.

Para o senador Eduardo Girão (Novo-CE), “mais do que nunca Alcolumbre tem o dever de abrir CPI ou CPMI sobre a maior fraude do sistema financeiro do país”. A oposição acusa o comando da Casa de esvaziar as sessões para evitar a leitura do requerimento.

Ligações políticas

Jocildo Lemos assumiu a Amprev em 2023, nomeado pelo governador Clécio Luís (União Brasil). Em discurso de 2024, disponível em página da própria autarquia, Lemos agradeceu “especialmente” a Alcolumbre pelo convite para chefiar a previdência. O senador nega ter feito indicação.

O conselho fiscal da Amprev também abriga Alberto Alcolumbre, irmão do presidente do Senado. Ele não foi alvo da operação, mas sua presença reforçou os apelos por investigação independente no Legislativo.

Reações locais

Na Assembleia Legislativa do Amapá, o deputado estadual Errinelson Vieira Pimentel (PL) informou que solicitará o afastamento imediato ou exoneração de Lemos e apresentará pedido de CPI estadual.

Amprev diz ser vítima

Em nota, a autarquia declarou-se prejudicada pelo Banco Master e informou buscar ressarcimento integral. Sustentou que os investimentos tinham aval do Banco Central, representam fatia minoritária da carteira e que o patrimônio do fundo cresceu 41 % entre 2023 e 2025, garantindo pagamentos aos segurados até 2059.

Para a PF, porém, a rapidez das decisões, os alertas formais ignorados e a concentração dos recursos em único emissor configuram indícios de gestão temerária ou fraudulenta. Os investigadores também apuram possível pressão hierárquica para acelerar os aportes e contornar mecanismos internos de compliance.

Com a operação no Amapá, o caso Banco Master deixa o âmbito regional e aterra no Parlamento, aumentando o isolamento político de Alcolumbre enquanto a instalação da CPMI permanece pendente.

Com informações de Gazeta do Povo