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Violência volta a crescer no Sudão do Sul e igrejas alertam para risco de nova guerra civil

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Líderes religiosos e organizações humanitárias internacionais advertiram que a recente onda de confrontos no Sudão do Sul ameaça romper o frágil acordo de paz firmado em 2018. Em comunicados divulgados nesta semana, o Conselho de Igrejas do Sudão do Sul (que reúne denominações Católica, Anglicana, Presbiteriana e Evangélica) e a Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas pediram a suspensão imediata das operações militares e a retomada do diálogo político.

Segundo as entidades, ataques contra comunidades, trabalhadores de ajuda humanitária e instalações civis intensificaram-se desde dezembro de 2025, provocando novos deslocamentos internos e dificultando o acesso a alimentos e atendimento médico em vários estados do país.

Chamado das igrejas

O arcebispo católico de Juba, Stephen Ameyu Martin Mulla, afirmou que “2025 foi o pior ano” para a confiança da população nos líderes, devido à repetida falha na implementação de “uma paz genuína”. No mesmo tom, a Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas disse que a escalada demonstra “a rapidez com que o país pode voltar a um conflito generalizado”.

Resposta do governo

Em nota datada de 17 de março, o gabinete do presidente Salva Kiir declarou compartilhar as preocupações humanitárias, mas defendeu as operações de segurança em curso como “respostas a ameaças” e parte da responsabilidade constitucional de manter a ordem. O governo atribuiu os ataques mais recentes a elementos armados ligados ao SPLM/A-IO, que, entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, teriam atacado posições governamentais em áreas como Waat e Pajut, com intenção de avançar sobre a capital, Juba.

“O governo não iniciou essas hostilidades”, diz o texto oficial, que instou o SPLM/A-IO a cessar as ações militares e retomar as negociações. As autoridades prometeram responsabilizar os autores de crimes contra civis.

Saldo de vítimas e crise humanitária

Grupos de ajuda relatam que um ataque no início de março, no condado de Abiemnom, perto da fronteira com o Sudão, deixou ao menos 169 mortos, entre eles mulheres e crianças, obrigando milhares de moradores a buscarem refúgio em uma base da ONU. A coalizão de ONGs divulgou nota na plataforma ReliefWeb pedindo “proteção prioritária aos civis” e passagem segura para comboios humanitários.

Desde o fim da guerra civil (2013-2018), que causou aproximadamente 400 mil mortes e deslocou milhões, episódios de violência esporádica continuam a ocorrer, impulsionados por disputas locais e rivalidades políticas entre Kiir e o líder da oposição e primeiro vice-presidente, Riek Machar. Analistas temem que qualquer novo rompimento entre os dois possa desestabilizar o governo de unidade nacional.

Forças de paz da ONU seguem destacadas em diferentes regiões, mas enfrentam dificuldades para conter focos de conflito. Agências de ajuda alertam que a insegurança obriga a suspensão temporária de programas essenciais, deixando comunidades sem assistência alimentar e serviços básicos.

Para as lideranças cristãs, “o diálogo é o único caminho”, e a continuidade da violência agravará uma crise humanitária que já afeta milhões de sul-sudaneses.

Com informações de Folha Gospel