Grupos armados fulani e outros militantes realizaram uma série de ataques contra comunidades cristãs no centro-norte da Nigéria, deixando pelo menos dez mortos — entre eles um pastor — e 20 sequestrados na última semana.
Pastor morto e fiéis sequestrados em Kaduna
Na madrugada de 28 de outubro, homens armados invadiram a aldeia predominantemente cristã de Farin Dutse, no governo local de Kauru, estado de Kaduna. Segundo Dan Gwamna, integrante da Igreja Unida de Cristo na Nigéria (UCCN/HEKAN), o rev. Yahaya Kambasaya foi morto a tiros quando deixava um esconderijo em uma fazenda próxima, acreditando que os agressores já haviam partido.
Além do assassinato do líder religioso, os invasores sequestraram 20 membros da congregação. O presidente nacional da HEKAN, rev. Amos Kiri, classificou o ataque como “cruel, desumano e perverso” e pediu orações pela libertação dos reféns.
Mortes sucessivas no estado de Plateau
No vizinho estado de Plateau, novos episódios de violência ocorreram entre 31 de outubro e 3 de novembro:
- Wereng (3 de novembro): o agricultor cristão Joseph Dauda Mwanti, 28 anos, foi morto e Joshua Mwanvwang, 33, ficou ferido após ataque noturno. O advogado local Dalyop Solomon Mwantiri relatou que já havia alertado as autoridades sobre o risco iminente.
- Kwi (31 de outubro e 1º de novembro): milícias fulani assassinaram sete moradores na sexta-feira e mais um agricultor no sábado, totalizando oito vítimas, informou o líder comunitário Rwang Tengwon.
A presidente do Conselho da Área de Governo Local de Riyom, Sati Bature Shuwa, disse que o massacre é “inaceitável” e prometeu reforçar a segurança. O diplomata Chris Giwa também cobrou revisão urgente do aparato de proteção após, segundo ele, alertas prévios não terem sido atendidos.
Contexto da violência
A Nigéria figura entre os países mais perigosos para cristãos. De acordo com a Lista Mundial da Perseguição 2025 da organização Portas Abertas, 3.100 dos 4.476 cristãos assassinados por motivos de fé em todo o mundo estavam em território nigeriano. O relatório aponta que milícias fulani e grupos jihadistas, como Boko Haram e Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP), atuam com pouca resistência estatal, ampliando os sequestros e homicídios no norte e no centro do país.
Os ataques mencionados reforçam a escalada de violência contra comunidades cristãs, especialmente em áreas rurais, onde disputa por terras e motivação religiosa se sobrepõem.
Com informações de Folha Gospel