Um vídeo que apresenta dezenas de mãos saindo de covas rasas, atribuindo o cenário a cristãos enterrados vivos em um país africano, viralizou nos últimos dias em plataformas como Instagram e X (antigo Twitter). Verificações independentes e ferramentas de checagem, no entanto, confirmaram que as imagens foram geradas por inteligência artificial (IA) e não correspondem a um episódio real.
Ferramentas internas do X rotulam o conteúdo como falso
A ferramenta Grok, integrada à rede X, classificou o vídeo como “não real” em resposta pública divulgada em 6 de março de 2026. Segundo a plataforma, não há registros confiáveis de que o grupo extremista Boko Haram ou qualquer outra facção na Nigéria tenha realizado esse tipo de crime recentemente.
Agências de checagem confirmam manipulação digital
Análises realizadas pela Agência Lupa e pelo Projeto Bereia identificaram sinais típicos de conteúdo sintético: dedos e mãos com deformações, rigidez idêntica dos braços, simetria incomum das covas e ausência de movimentação muscular. A ferramenta Hive Moderation apontou 97,7% de probabilidade de o material ter sido criado por IA, enquanto a Sight Engine indicou 61% de chance de manipulação digital.
Mesma gravação, diferentes países
Versões quase idênticas do vídeo circulam desde 2023, sendo atribuídas ora ao Sudão, ora à Nigéria ou genericamente à “África”. A repetição das imagens com legendas variadas reforça o padrão de conteúdos fabricados para comoção e rápida disseminação nas redes sociais.
Perseguição existe, mas não há registro desse crime
Relatórios da Portas Abertas situam Sudão e Nigéria entre os países com perseguição extrema a cristãos, conforme a Lista Mundial da Perseguição 2026. Mesmo assim, nenhuma fonte confiável registra cristãos enterrados vivos nessas regiões.
Com base nas checagens de Grok, Agência Lupa, Projeto Bereia e nas análises de softwares de detecção de IA, conclui-se que o vídeo é falso e não retrata um caso real de violência religiosa.
Com informações de Folha Gospel