NOVA YORK — O arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário da Santa Sé para as Relações com os Estados, acusou a Organização das Nações Unidas e seus países-membros de negligenciar a “mais severa e ampla perseguição religiosa do mundo” ao discursar na 78ª Assembleia Geral, na última semana.
Segundo o diplomata do Vaticano, mais de 360 milhões de cristãos vivem em regiões onde enfrentam altos níveis de violência e discriminação. “Igrejas são destruídas, fiéis são presos, forçados a se deslocar e até assassinados”, relatou, citando dados divulgados pela Catholic News Agency.
Liberdade religiosa ameaçada
Gallagher afirmou que, apesar de os cristãos formarem o grupo religioso mais perseguido globalmente, a comunidade internacional permanece “largamente indiferente”. Para o arcebispo, a verdadeira liberdade religiosa pressupõe o direito de praticar a fé “em público e em privado, sem obstáculos”.
“Cultura da morte” e outros alertas
No discurso, ele condenou o avanço do aborto e da eutanásia, classificando-os como parte de uma “cultura da morte”, e pediu proteção à vida “da concepção à morte natural”. Também criticou o aumento da barriga de aluguel, que, em sua visão, viola a dignidade de mulheres e crianças, reiterando o apelo da Santa Sé por uma proibição internacional da prática.
Crise moral e dívidas externas
Para Gallagher, a perseguição religiosa reflete um “colapso moral” mais amplo, no qual interesses políticos e econômicos se sobrepõem a direitos humanos básicos. Ele defendeu o cancelamento das dívidas dos países mais pobres e um novo foco em políticas de desenvolvimento que coloquem “a pessoa no centro da economia”.
Casos ignorados pela mídia
O arcebispo lembrou episódios de violência contra cristãos na Nigéria, tema que ganhou destaque recente quando o apresentador Bill Maher criticou a falta de cobertura jornalística sobre os ataques do Boko Haram, que já causaram mais de 100 mil mortes desde 2009, além da destruição de 18 mil igrejas.
Apego à diplomacia e reforma da ONU
Gallagher abordou ainda conflitos na Ucrânia, República Democrática do Congo e Síria, reiterando o pedido do papa Francisco por um cessar-fogo imediato em território ucraniano. Ele sugeriu redirecionar parte dos gastos militares globais para combater pobreza, fome e degradação ambiental, e defendeu a reforma das Nações Unidas para recuperar os princípios da Carta de 1945.
Ao encerrar, o representante do Vaticano advertiu que “silêncio e inação equivalem a cumplicidade”. Ele convocou os governos a proteger os grupos mais vulneráveis e rejeitar políticas que transformem pessoas em “unidades econômicas ou peões políticos”.
Com informações de Folha Gospel