Em 7 de abril, Estados Unidos e Irã concordaram em um cessar-fogo de 14 dias, costurado em Islamabad sob a liderança do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. As partes voltarão à mesa de negociação em 10 de abril, também na capital paquistanesa.
Do lado americano, o vice-presidente JD Vance acompanhou as tratativas por telefone. Os chanceleres de Egito e Turquia atuaram como facilitadores adicionais. Já o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, conseguiu o aval da Guarda Revolucionária para o acordo provisório.
Principais exigências de Teerã
O governo iraniano apresentou um pacote que inclui:
- compromisso permanente de Washington e de Israel de não retomar ataques;
- revogação integral de sanções primárias e secundárias contra o Irã;
- anulação de resoluções condenatórias do Conselho de Segurança da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica;
- pagamento de reparações a Teerã;
- retirada das tropas americanas da região;
- fim das operações israelenses contra o Hezbollah e demais aliados do chamado “Eixo de Resistência”;
- cobrança de taxa sobre embarcações que cruzarem o Estreito de Ormuz, com divisão de receita entre Irã e Omã para reconstrução pós-conflito.
O texto será submetido ao Conselho de Segurança da ONU. Ainda não há confirmação de que Washington aceite integralmente as condições. Paralelamente, os Estados Unidos levarão à rodada do dia 10 uma contraproposta de 15 pontos, descrita por fontes diplomáticas como exigindo ampla concessão iraniana.
Reações na região
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, expressou insatisfação com o entendimento e prometeu manter operações no sul do Líbano para criar uma zona tampão. Lideranças da oposição israelense também criticaram a pausa nos confrontos, enquanto países do Golfo manifestaram apoio à trégua e apelaram pelo fim definitivo das hostilidades.
Mesmo após o anúncio do cessar-fogo pelo presidente norte-americano Donald Trump, mísseis iranianos foram disparados contra Israel, e o Bahrein chegou a acionar sirenes de alerta aéreo. Novos alarmes soaram em território israelense, lançando dúvidas sobre a durabilidade do entendimento.
Analistas observam que, apesar de ter degradado capacidades militares convencionais e a cadeia de comando iraniana, a coalizão EUA-Israel não conseguiu desmantelar o núcleo de poder em Teerã, que preserva meios de retaliação e negociação.
A próxima etapa em Islamabad deverá indicar se o cessar-fogo evoluirá para um acordo mais amplo ou se o conflito migrará para uma fase de confrontos esporádicos e disputas diplomáticas.
Com informações de Pleno.News