O teólogo e jornalista Pedro Augusto argumenta que o homem tradicionalmente chamado de “ladrão da cruz” no Novo Testamento não era um assaltante no sentido atual, mas sim um zelote — integrante de um movimento judaico que se opunha ao domínio romano. A análise foi publicada em 30 de outubro de 2025.
Segundo Augusto, o termo grego empregado nos Evangelhos, lêstês, era usado no primeiro século para designar rebeldes políticos. O historiador judeu Flávio Josefo, contemporâneo de Jesus, recorria à mesma palavra para se referir aos zelotes, grupo disposto a usar a violência para libertar Israel.
O autor sustenta que o Império Romano reservava a crucificação principalmente para inimigos do Estado, o que reforçaria a hipótese de que o homem crucificado ao lado de Jesus esteja mais próximo de um revolucionário derrotado do que de um ladrão comum.
Augusto também observa que o evangelista Lucas, possivelmente gentio, pode ter classificado o personagem como criminoso por ter uma visão menos crítica do poder romano, enquanto enxergava com reserva os rebeldes judeus.
No texto, o teólogo conclui que o episódio evidencia uma mudança de expectativa: o insurgente esperava um Messias guerreiro, mas encontrou na cruz um rei que oferecia libertação espiritual em vez de política.
Com informações de Pleno.News