O Supremo Tribunal do Quirguistão ordenou em 25 de março a libertação do pastor Pavel Shreider, 66 anos, substituindo a pena de prisão por uma multa equivalente a três meses de salário. O religioso terá 30 dias para quitar o valor; caso contrário, será deportado imediatamente.
Shreider liderava a agora extinta Igreja Adventista do Sétimo Dia da Verdadeira e Livre Reforma, grupo surgido durante a era soviética e sem ligação com a denominação Adventista do Sétimo Dia dos Estados Unidos. A congregação não possuía registro estatal, condição que o governo quirguiz considera ilegal e punível com multa, dissolução forçada ou prisão.
Prisão e denúncias de agressão
No início de 2024, agentes do Comitê de Segurança Nacional (CSN) detiveram o pastor e vários membros da igreja, acusando-os de “atividades religiosas ilegais”. Durante a custódia, em setembro do mesmo ano, Shreider foi transferido para a ala médica da prisão após sofrer lesões cerebrais. Em queixa apresentada em novembro, ele relatou ter levado socos na cabeça e no peito, além de chutes nas costas, desferidos por cinco policiais que também o teriam golpeado com um cano de ferro para forçar uma confissão.
Deportação iminente
Embora o Supremo tenha reduzido a punição, o Conselho de Segurança Nacional revogou o passaporte russo de Shreider e determinou que ele arque com os custos de deportação. Fontes próximas afirmam que o pastor permanece sob vigilância constante. “Ele não pode ficar aqui”, disse ao Forum 18 uma pessoa ligada à família.
As autoridades não incluíram a esposa de Shreider na ordem de deportação, mas ela planeja acompanhá-lo quando ele deixar o país.
O Quirguistão ocupa a 40ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2026, publicada pela organização Portas Abertas, que destaca os locais mais arriscados para a prática do cristianismo.
Com informações de Folha Gospel