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Suprema Corte da Índia analisa constitucionalidade de leis anticonversão em 12 Estados

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NOVA DÉLI, 2 de fevereiro de 2026 – A Suprema Corte da Índia determinou a abertura de um exame constitucional sobre as leis que restringem mudanças de religião em 12 Estados do país. A decisão foi tomada em 2 de fevereiro por um colegiado liderado pelo chefe de Justiça, Surya Kant, e pelo juiz Joymalya Bagchi, após receber petição do Conselho Nacional de Igrejas da Índia (NCCI).

O que está em jogo

O NCCI, que representa cerca de 14 milhões de cristãos por meio de 32 denominações filiadas, alega que a legislação estadual tem sido usada para prender arbitrariamente, intimidar e agredir minorias religiosas. A entidade pede a suspensão imediata de pontos específicos das normas em Himachal Pradesh, Odisha, Karnataka, Uttar Pradesh, Uttarakhand, Haryana, Arunachal Pradesh, Madhya Pradesh, Chhattisgarh, Gujarat, Jharkhand e Rajasthan.

Por ordem da Corte, o governo federal e os 12 Executivos estaduais têm até quatro semanas para apresentar uma defesa conjunta. O processo será remetido a um banco de três magistrados devido à “relevância constitucional” do tema.

Acusações de abuso

A advogada Meenakshi Arora, que fala pelo NCCI, afirmou que as leis “incentivam grupos de vigilantes” por meio de recompensas financeiras. Segundo ela, isso estimula denúncias forjadas e “fabricadas” contra cristãos. O reverendo Asir Ebenezer, secretário-geral da organização, classificou a onda de processos como “narrativa falsa” de conversão forçada e disse que a iniciativa busca proteger direitos básicos garantidos pela Constituição indiana.

Posição do governo

O procurador-geral Tushar Mehta contestou o pedido e prometeu entregar resposta “em breve”. Para ele, a matéria já foi resolvida em 1977, quando a Suprema Corte manteve normas estaduais que punem conversões obtidas por força, fraude ou sedução, caso conhecido como Rev. Stainislaus x Estado de Madhya Pradesh.

O NCCI argumenta que as versões atuais das leis são “muito mais amplas e punitivas” do que as examinadas naquele precedente e que ampliam a interferência do Estado na escolha religiosa individual.

Uma década de disputas

Desde 2020, ao menos três entidades cristãs – Cidadãos pela Justiça e Paz, Conferência Episcopal Católica da Índia e Associação Evangélica da Índia – movem ações paralelas contra as normas. A EFI, por exemplo, abriu contestações nos tribunais superiores de Jharkhand, Karnataka e Himachal Pradesh.

A legislação mais recente, de Rajasthan, aprovada em 2025, permite até 20 anos de prisão em casos que envolvam menores, mulheres ou integrantes de castas e tribos registradas, além de autorizar confisco e demolição de bens sem ordem judicial.

Escalada da violência

Organizações de direitos humanos relatam recorde de incidentes anticristãos em 2025, incluindo agressões, depredações de igrejas e interrupções de cultos em vários estados, especialmente durante o período natalino. A ONG Portas Abertas posicionou a Índia em 12º lugar na Lista Mundial de Vigilância de 2026, bem acima da 31ª posição que o país ocupava em 2013.

Próximos passos

Após receber as defesas, a Suprema Corte deverá marcar audiência para decidir se mantém, modifica ou revoga trechos das leis. O resultado pode redefinir o equilíbrio entre liberdade religiosa e autoridade estadual em todo o território indiano.

Com informações de Folha Gospel