Brasília, 16 jan. 2026 – Os senadores Magno Malta (PL-ES), Eduardo Girão (Novo-CE) e Damares Alves (Republicanos-DF) protocolaram, em 14 de janeiro, um pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. A representação cita suposto conflito de interesses e interferência na investigação sobre o Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central (BC) após a identificação de fraudes bilionárias.
Viagem em avião particular e assunção do caso
De acordo com o documento, em dezembro de 2025 Toffoli viajou em avião particular para Lima, no Peru, ao lado de um advogado que integra a defesa de um dos investigados no processo. Dias depois, o ministro assumiu a relatoria do caso no STF, decretou sigilo absoluto e determinou que a Polícia Federal (PF) só poderia atuar mediante autorização prévia da Corte.
Decisões contestadas
Durante o recesso forense, Toffoli ordenou, de ofício, uma acareação entre o controlador do Banco Master, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) e um diretor do BC. A medida foi criticada por técnicos do BC, pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e por entidades do sistema financeiro, que a consideraram juridicamente inadequada. Após a repercussão negativa, o ministro substituiu a acareação por oitivas separadas, mantendo a presença de um juiz auxiliar nas diligências da PF.
Relações financeiras de familiares
O pedido de impeachment também aponta investimentos de R$ 4,3 milhões feitos pelo Arleen Fundo de Investimento em Participações em empresas pertencentes aos irmãos de Toffoli, entre elas um resort no interior de São Paulo. O mesmo fundo teria participação em sociedade com um primo do ministro. A administradora do fundo, Reag, é investigada na Operação Carbono Oculto, que apura lavagem de dinheiro.
Acusações de conflito de interesses
Para os senadores, os vínculos financeiros configuram impedimento legal para o exercício da relatoria. Eles afirmam que, ao manter-se no processo, o ministro “inviabilizou qualquer apuração independente”, condicionando a atuação da PF, limitando o Ministério Público e constrangendo o Banco Central.
Responsabilidade do Senado
No texto encaminhado à Mesa Diretora do Senado, os parlamentares defendem que o Supremo “não pode investigar a si mesmo” e que o sistema de freios e contrapesos impõe ao Legislativo a análise de possíveis crimes de responsabilidade de ministros da Corte. Cabe agora ao presidente do Senado decidir se dá andamento ao pedido.
Com informações de Pleno.News