O arcebispo Ettore Balestrero, observador permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas em Genebra, afirmou em 3 de março que aproximadamente 400 milhões de cristãos enfrentam perseguição ou violência em todo o planeta, o equivalente a um em cada sete fiéis.
Violência letal e violações de direitos
Ao participar do evento “Apoiando os cristãos perseguidos: defendendo a fé e os valores cristãos”, Balestrero destacou que quase 5 mil cristãos foram mortos em 2025 devido à sua crença, média de 13 mortes por dia. Segundo o prelado, essas vítimas são consideradas mártires pela tradição cristã e, do ponto de vista do direito internacional, representam graves violações de direitos humanos.
O arcebispo ressaltou que cabe aos governos proteger a liberdade de religião ou crença, prevenir ataques contra fiéis e responsabilizar autores de abusos. Ele frisou que a impunidade continua sendo um dos maiores obstáculos ao combate à perseguição religiosa.
Relatório indica crescimento da pressão
Dados da Lista Mundial da Perseguição 2026, elaborada pela organização Portas Abertas, apontam que 388 milhões de cristãos sofrem perseguição ou discriminação severa, aumento de 8 milhões em relação ao ano anterior. O índice classifica a Coreia do Norte como o país mais hostil aos cristãos, enquanto a Nigéria concentra 70% das quase 4.900 mortes registradas no período analisado.
O documento também cita a violência em nações da África Subsaariana, como Sudão e Mali, além da crescente pressão sobre comunidades cristãs no Oriente Médio e em partes da Ásia, como Iêmen e Síria.
Cresce hostilidade também no Ocidente
Balestrero relatou que, mesmo na Europa, cristãos foram alvo de mais de 760 ataques a igrejas, vandalismo e agressões físicas somente em 2024. Já o Observatório da Intolerância e da Discriminação contra os Cristãos na Europa registrou 2.211 incidentes no mesmo ano, incluindo processos judiciais por orações silenciosas próximas a clínicas de aborto e citações bíblicas em debates públicos.
Para o representante da Santa Sé, essas restrições legais e culturais que limitam a expressão pública da fé evidenciam a necessidade de os Estados garantirem a liberdade religiosa e a segurança dos crentes.
Com informações de Folha Gospel