Kiev, 24 de fevereiro de 2026 – Ao completar quatro anos, o conflito entre Rússia e Ucrânia apresenta um novo retrato de violações de liberdade religiosa em áreas sob ocupação russa. Relatos de líderes de diversas denominações e de organizações de direitos humanos apontam para detenções, fechamento de templos e confisco de bens, sobretudo contra igrejas protestantes.
Força-tarefa contra congregações “desleais”
Desde a invasão em larga escala, em fevereiro de 2022, administrações impostas por Moscou exigem que todas as comunidades religiosas se registrem segundo a legislação russa. Grupos que se recusam passam a ser classificados como “desleais” e, segundo testemunhas, sofrem operações policiais, multas e interrupção de cultos.
Pastores relatam detenções seguidas de interrogatório. Um dos casos mais citados é o do pastor batista Sergey Ivanov, que dirigia uma congregação no sul da Ucrânia ocupada. De acordo com redes eclesiásticas locais, forças de segurança o prenderam após acusá-lo de cooperar com autoridades ucranianas e de não registrar a igreja pelas normas russas. Enquanto Ivanov era interrogado, o templo teve as portas lacradas e os cultos foram suspensos.
Intimidação alcança a Igreja Ortodoxa da Ucrânia
Embora a maior pressão recaia sobre evangélicos e batistas, clérigos ortodoxos que rejeitam a autoridade de Moscou também enfrentam sanções. Na Crimeia, anexada em 2014, o padre Serhii Mykhalchuk, da Igreja Ortodoxa da Ucrânia, relata assédio contínuo. Tribunais controlados por autoridades russas determinaram o despejo de sua paróquia da catedral de Simferopol, além da apreensão de propriedades, após a comunidade se negar a aderir às novas regras religiosas.
Instrumentalização de estruturas religiosas
Ativistas pela liberdade de culto afirmam que a política russa busca substituir organizações cívicas ucranianas por instituições alinhadas ao Kremlin. Em regiões ocupadas, a Igreja Ortodoxa Ucraniana (UOC) – historicamente vinculada ao Patriarcado de Moscou – tem sido usada como canal para mensagens políticas e para o controle de atividades comunitárias.
A estratégia, segundo observadores, inclui favorecer líderes religiosos considerados favoráveis ao governo russo e marginalizar quem demonstre lealdade a Kyiv. Comunidades protestantes, tradicionalmente envolvidas em ajuda humanitária, tornaram-se alvo frequente de suspeitas de colaboração com governos ocidentais.
Fechamentos e confisco de bens
Igrejas que rejeitam a supervisão dos ocupantes relatam:
- Interrupção de cultos por forças armadas ou policiais;
- Confisco de equipamentos, bíblias e materiais de escritório;
- Multas por “atividades religiosas ilegais”;
- Expulsão de fiéis de prédios e terrenos eclesiásticos.
Já congregações vistas como favoráveis a Moscou recebem permissão para funcionar, ilustrando, segundo analistas de direitos humanos, um padrão de privilegio político-religioso.
Indicador de direitos humanos no conflito
Grupos de monitoramento afirmam que a situação das comunidades de fé reflete o estado geral dos direitos humanos nos territórios ocupados. Com o prolongamento da guerra, líderes religiosos temem que o espaço para culto independente continue diminuindo.
Com informações de Folha Gospel