Deputados federais do Partido dos Trabalhadores (PT) protocolaram nesta terça-feira, 24, um pedido formal de afastamento do senador Carlos Viana (Podemos-MG) da presidência da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga irregularidades no INSS.
Os parlamentares Pedro Uczai (PT-SC), Rogério Correia (PT-MG), Alencar Santana (PT-SP) e Lindbergh Farias (PT-RJ) argumentam que o senador perdeu as condições políticas e legais para conduzir os trabalhos, apontando possível quebra de imparcialidade.
Emenda de R$ 3,6 milhões na mira
O centro da contestação é o repasse de R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares de Viana à Fundação Oasis, entidade vinculada à Igreja Batista da Lagoinha. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou que o senador esclareça judicialmente o envio dos recursos.
A Lagoinha e o pastor André Valadão são citados na CPMI em apurações sobre supostas fraudes em empréstimos consignados e eventuais vínculos com o chamado “caso Master”. Um dos nomes mencionados nas investigações é Fabiano Zettel, apontado como ex-pastor da Lagoinha e cunhado do empresário Daniel Vorcaro.
Defesa de Nikolas Ferreira
Os deputados também destacam declaração pública de Viana em apoio ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Ferreira utilizou um jatinho ligado a Vorcaro durante campanha para o então presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2022. Para o PT, a manifestação favorável reforça o questionamento sobre a neutralidade do presidente da comissão.
Controvérsia sobre quebra de sigilo
Outro ponto da petição é a votação que aprovou a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Segundo os autores do pedido, houve erro de contagem de votos, posteriormente corrigido pelo STF. Eles sustentam que o episódio demonstra atuação parcial de Viana.
Com base nesses elementos, os petistas solicitam que o senador seja afastado para “garantir a integridade e a imparcialidade” das investigações conduzidas pela CPMI.
Com informações de Folha Gospel