Em artigo publicado em 18 de fevereiro de 2026 no portal Pleno.News, a psicóloga e psicanalista Marisa Lobo criticou a tendência de parte da sociedade de apontar a mãe como responsável por uma tragédia familiar em que o pai matou os dois filhos e, em seguida, cometeu suicídio.
Segundo Lobo, informações divulgadas sobre o caso indicam que o homem não aceitava o fim do relacionamento. A especialista lembrou que a literatura psicológica associa crimes desse tipo à dificuldade de lidar com a rejeição, à perda de controle e à chamada “frustração narcísica”.
“Traição, separação ou humilhação não autorizam violência”, pontuou a psicóloga, destacando que violência é escolha e é crime. Para ela, ao questionar “o que a mãe fez”, parte da opinião pública pratica culpabilização da vítima, desviando o foco do agressor.
Filicídio por retaliação
No texto, Marisa Lobo classifica o episódio como possível filicídio por retaliação, tipo de crime em que os filhos são mortos para atingir a mãe. O padrão, explicou, costuma envolver:
- crenças de posse sobre a parceira;
- intolerância à frustração;
- dificuldade patológica de aceitar rejeição;
- perfil controlador e dominador.
A profissional reforçou que homens também sofrem com término de relações, mas a maioria não recorre à violência. “A diferença não está na dor; está na escolha”, afirmou.
Alerta cultural
Lobo sustenta que relativizar o crime com base em “honra ferida” envia mensagem perigosa à sociedade. Para a psicóloga, é urgente romper o “ciclo cultural” que ensina homens a confundir amor com posse e a responsabilizar mulheres pela prevenção da violência masculina.
Marisa Lobo é pós-graduada em psicanálise, gestão e mediação de conflitos, educação de gênero e sexualidade, filosofia de direitos humanos e saúde mental, além de habilitada para o magistério superior.
Com informações de Pleno.News