Brasília, 23 de fevereiro de 2026 — Em artigo publicado às 10h54 no portal Pleno.News, a psicóloga e psicanalista Marisa Lobo afirmou que uma criança de 12 anos não possui maturidade neuropsicológica para consentir em relações sexuais, especialmente quando envolvida com um adulto de 35 anos.
Segundo a especialista, o córtex pré-frontal — área responsável por julgamento, controle inibitório e avaliação moral — encontra-se em desenvolvimento e só atinge plena maturação na vida adulta jovem. “Não existe simetria psíquica entre uma criança de 12 anos e um homem de 35”, ressaltou.
Diferenças apontadas por faixa etária
Lobo listou características típicas de cada idade. Aos 12 anos, explicou, a identidade está em formação, a autoestima depende de validação externa, a avaliação de risco é limitada e não há compreensão das dinâmicas de poder. Já aos 35, o indivíduo apresenta maturidade cognitiva consolidada, entende as implicações legais e morais de seus atos, detém superioridade física e social e reconhece a vulnerabilidade infantil.
Grooming e trauma
A psicóloga destacou o conceito de grooming, definido como manipulação emocional progressiva que leva a criança a interpretar exploração como afeto. Nesse processo, a vítima pode defender o abusador, minimizar o ocorrido, acreditar que consentiu ou sentir-se responsável. “Isso não é consentimento, é trauma vincular”, advertiu.
Crítica ao Judiciário
Para Lobo, decisões judiciais que ignoram a assimetria entre adulto e criança resultam em “revitimização institucional” e ferem o princípio da proteção integral. Ela afirmou que absolver adultos em casos de vulnerabilidade infantil envia “mensagem perigosa” de relativização da infância.
“Não se trata de moralismo, mas de neurodesenvolvimento, trauma e responsabilidade civilizatória”, concluiu.
Marisa Lobo é pós-graduada em Psicanálise, Gestão e Mediação de Conflitos, Educação de Gênero e Sexualidade, Filosofia de Direitos Humanos e Saúde Mental, além de possuir habilitação para o magistério superior.
Com informações de Pleno.News