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Pressão de grupos muçulmanos faz autoridades suspenderem obras de igreja e complexo turístico em Java Central

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Autoridades da província de Java Central, na Indonésia, interromperam a construção do edifício da Igreja Cristã Immanuel (GKIM) e do complexo de turismo religioso Holyland Bukit Doa, ligado à Igreja Betel da Indonésia (GBI), após protestos de líderes locais e organizações muçulmanas.

A decisão foi formalizada em 2 de setembro pelo regente de Karanganyar, que justificou a medida como necessária para “manter condições favoráveis e evitar conflitos sociais”. A carta oficial indicou que os trabalhos só poderão ser retomados quando houver acordo com a comunidade.

Representantes do governo entregaram a suspensão à Surakarta Anugerah Family Foundation no próprio canteiro de obras em 3 de setembro. Segundo membros do conselho da regência, a construção executada não corresponde à licença original, que previa apenas um templo e não um espaço de turismo religioso descrito como “mini-Jerusalém”.

Grupos como o Fórum da Comunidade Islâmica de Gondangrejo (FUI) e a Fokus Unit Industri (FUI) de Solo Raya vinham pressionando pelo cancelamento desde 1º de agosto, quando protocolaram carta de objeção junto ao governo local. Reuniões ocorreram em 6 de agosto e 1º de setembro, culminando na recomendação oficial de interrupção das obras.

Parlamentares locais reforçaram as críticas. Sarjono, porta-voz do Partido da Justiça Próspera, declarou que “muitos moradores desconheciam a construção da Terra Santa”. Wawan Pramono, do Partido do Grande Movimento da Indonésia, pediu paralisação até que “a questão da licença seja resolvida”.

Em 26 de agosto, o secretário-regional Timotius Suryadi informou ao parlamento de Karanganyar que o governo formaria uma equipe de monitoramento e poderia rever o projeto caso fossem constatadas irregularidades nas autorizações.

Vídeos divulgados em redes sociais muçulmanas classificaram o empreendimento como “desastre para as doutrinas islâmicas”. Em gravações postadas pela GosamTV, líderes da região de Solo Raya conclamaram fiéis a se opor ao complexo, alegando que a área é “99% muçulmana” e deveria receber apenas iniciativas islâmicas.

Apesar das críticas, o chefe da aldeia de Karangturi, Mulyani, afirmou que o projeto possui licenças legais e que os proprietários de terras já receberam pagamento pela venda dos terrenos. Mesmo assim, manifestações continuaram até 12 de setembro, incluindo um comboio de solidariedade organizado pela FUI Solo Raya.

A cerimônia de lançamento da primeira fase do Prayer Hill ocorreu em 22 de abril de 2024, com presença do pastor Obaja Tanto Setiawan e representantes de doadores. Na ocasião, lideranças cristãs expressaram a expectativa de que o complexo “seja bênção para muitos”.

Por enquanto, as obras seguem interrompidas, pendentes de negociação entre autoridades, comunidade local e organizações religiosas.

Com informações de Folha Gospel