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Pastores reagem à ala que satirizou conservadores no desfile da Acadêmicos de Niterói

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A apresentação da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que colocou “neoconservadores em conserva” na Marquês de Sapucaí durante o Carnaval, provocou respostas distintas entre líderes evangélicos.

Ala polêmica e rebaixamento da escola

Em sua estreia no Grupo Especial, a agremiação homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Uma das alas retratou segmentos que, segundo a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), se opõem às pautas defendidas por Lula, como a reversão de privatizações e a extinção da jornada de trabalho 6×1. Os perfis caricaturados incluíam representantes do agronegócio, mulheres de classe alta, defensores da Ditadura Militar e grupos evangélicos. Ao término da apuração, a Acadêmicos de Niterói foi rebaixada.

Repercussão entre evangélicos

O pastor Pedro Barreto, da Igreja Comunidade Batista do Rio, declarou não ter se sentido ofendido. “Fico feliz por ser reconhecido como conservador. A Bíblia nos orienta a ser diferentes”, afirmou, criticando atitudes beligerantes de alguns fiéis em manifestações carnavalescas.

Já o pastor Oliver Costa Goiano, coordenador nacional dos Evangélicos do PT e ministro da Igreja Batista da Lagoa, em Maricá (RJ), classificou a ala como “transgressora”. Ele lembrou que também houve ironias dirigidas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, mas avaliou que a encenação não deve influenciar o voto evangélico: “A maioria é conservadora e não acompanha o Carnaval”.

Para Alexandre Gonçalves, pastor da Igreja de Deus no Brasil e diretor do sindicato da Polícia Rodoviária Federal em Santa Catarina, a participação de Lula no desfile agravou o descontentamento. Segundo ele, a presença do presidente “inflamou a polarização” e pode alimentar narrativas bolsonaristas em ano eleitoral.

Contexto político

Levantamento do Datafolha de dezembro registrou 49% de reprovação ao governo Lula entre evangélicos, o maior índice entre os grupos analisados.

Carnaval e fé

Apesar das divergências, os três pastores convergem ao afirmar que a tradição evangélica costuma manter distância do Carnaval. “Aproveitamos o feriado para retiros espirituais, mas o País é diverso”, ponderou Gonçalves.

Com informações de Folha Gospel