Autoridades do campo de refugiados de Ajoung Thok, no Sudão do Sul, mantêm sob custódia o pastor Joseph Shawish, da Igreja Batista Glory, desde 20 de janeiro. A prisão ocorreu depois que familiares de Amona Ibrahim Kaki, 18 anos, acusaram o líder religioso de sequestrar a jovem, que recentemente deixou o islamismo e passou a seguir o cristianismo.
De acordo com testemunhas, o irmão da jovem, Hassan Ibrahim Kaki, conduziu o pastor à força até a delegacia instalada dentro do próprio campo. A polícia ainda não formalizou nenhuma acusação, mas continua a deter Shawish.
A conversão e as ameaças
Refugiada oriunda das Montanhas Nuba, no Sudão, Amona vivia no campo de Ajoung Thok e há dois anos lia a Bíblia de forma clandestina. Ela participou de um culto em 30 de novembro e, em 25 de dezembro, declarou publicamente sua nova fé.
No dia 8 de janeiro, a família a expulsou de casa. Primeiro, a jovem foi acolhida por vizinhos; em seguida, buscou abrigo na residência de um líder religioso fora do campo. Segundo fontes locais, parentes muçulmanos têm ameaçado a igreja e condicionam a libertação do pastor ao retorno de Amona.
A jovem afirma temer por sua vida. “Minha mãe arremessou uma pedra em mim e meu irmão disse que um de nós teria de morrer se eu voltasse”, relatou.
Apelos por proteção internacional
Líderes cristãos da região pedem que o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) intervenha, fornecendo segurança e eventual reassentamento para Amona e outros convertidos. Organizações religiosas apontam falhas na proteção a refugiados que abandonam o islamismo na África Oriental.
Contexto religioso no Sudão
O Sudão, país de origem da família, tem 93% da população muçulmana, 4,3% seguidores de religiões étnicas e 2,3% cristãos, segundo o Projeto Joshua. O território ocupa o 4º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026, elaborada pela Portas Abertas, que classifica os locais com maior hostilidade aos cristãos.
Nos últimos anos, o governo dos Estados Unidos fez alterações no status do Sudão em relação à liberdade religiosa: retirou o país da lista de “Países de Preocupação Especial” em 2019, passou-o para a lista de vigilância e, em dezembro de 2020, removeu-o também dessa categoria.
Até o momento, não há previsão para a apresentação formal de acusações contra o pastor Shawish nem para sua libertação.
Com informações de Folha Gospel