O Parlamento da Escócia vetou, em 17 de março, o projeto de lei que buscava autorizar o suicídio assistido para adultos em estágio terminal. A proposta foi derrotada por 69 votos a 57, com uma abstenção e dois parlamentares ausentes.
A matéria, apresentada pelo deputado regional Liam McArthur (Orkney), permitiria que pessoas com 16 anos ou mais, diagnosticadas com doenças terminais e expectativa de vida inferior a seis meses, solicitassem ajuda médica para pôr fim à própria vida. Para isso, seriam necessárias a anuência de dois médicos e a disponibilização de uma substância a ser autoadministrada pelo paciente.
O revés ocorreu após a iniciativa ter avançado na primeira etapa legislativa, em maio de 2025, quando obteve 70 votos favoráveis e 56 contrários. Mesmo assim, esta é a terceira vez, desde a criação do Parlamento escocês em 1999, que propostas semelhantes não prosperam.
Reação de grupos religiosos
Líderes da Aliança Evangélica do Reino Unido saudaram o resultado, argumentando que ele resguarda pessoas vulneráveis e reforça o valor da vida. O diretor de advocacy da entidade, Danny Webster, afirmou que o texto “pouco garantia” proteção contra pressões sobre doentes e não assegurava totalmente a objeção de consciência de profissionais de saúde.
Para Peter Lynas, diretor da Aliança Evangélica, a decisão “reafirma a prioridade de cuidar e proteger quem se aproxima do fim da vida”. Ele defendeu que o voto estimule mais investimentos em cuidados paliativos na rede pública.
Divisão de opiniões
Durante o debate, o governo escocês manteve postura neutra, liberando os parlamentares para votarem conforme a própria consciência. Do lado favorável, organizações pró-mudança estamparam anúncios em jornais de grande circulação, enquanto a oposição reuniu associações médicas, ativistas pelos direitos de pessoas com deficiência, juristas e líderes cristãos.
Após a derrota, McArthur declarou-se “devastado” e disse acreditar que a mudança legal é “inevitável”, embora agora adiada. A votação evidencia a falta de consenso sobre o tema no Reino Unido: na Inglaterra e no País de Gales, projeto semelhante foi aprovado na Câmara dos Comuns em dezembro de 2024, mas ainda aguarda análise da Câmara dos Lordes.
Com informações de Folha Gospel