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Deputado Otoni de Paula denuncia “sequestro” das igrejas pelo bolsonarismo e repudia “idolatria política”

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São Paulo – O deputado federal e pastor evangélico Otoni de Paula (MDB-RJ) acusou setores ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro de promover um “sequestro mental, emocional e quase espiritual” das igrejas evangélicas desde 2018. A crítica foi feita durante a edição 2026 da série Conversas Difíceis, organizada nesta semana pelo Instituto Humanitas360, na capital paulista.

Integrante da Frente Parlamentar Evangélica, o parlamentar afirmou que a “politização extrema da fé” gerou fanatismo e distorceu princípios centrais do cristianismo. “O bolsonarismo instaurou uma guerra para definir quem é de Deus e quem é do diabo”, declarou. Otoni disse ter se arrependido de priorizar a defesa de Bolsonaro. “Quando percebi que era mais bolsonarista do que cristão, me arrependi. Estou pagando um preço alto”, relatou.

No debate, mediado pelo antropólogo Juliano Spyer e que contou com a cineasta Petra Costa – diretora do documentário Apocalipse nos Trópicos –, o deputado criticou o que chama de “idolatria política” dentro dos templos evangélicos. “Gritar ‘mito’ é sinal grave de idolatria. Passamos a ver um homem sendo glorificado no altar em lugar de Jesus”, afirmou.

Sobre temas comportamentais, Otoni defendeu respeito às diferenças. “O fundamentalismo não admite que duas pessoas do mesmo sexo se amem e constituam família. O cristianismo respeita a diferença. Antes de pregar, preciso respeitar a sua verdade”, disse, acrescentando que manifestações religiosas de matriz africana devem ser reconhecidas como expressão cultural.

O deputado também dirigiu críticas a lideranças evangélicas com atuação política intensa. “Silas Malafaia é movido por interesses pessoais vendidos como interesses de Deus”, disparou.

Ao comentar o cenário institucional, Otoni pregou tolerância e disse que autoridades eleitas merecem orações, citando tanto Bolsonaro quanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O distanciamento de Bolsonaro, segundo ele, motivou hostilidades de colegas da Frente Parlamentar Evangélica após ele ter visitado o Palácio do Planalto e orado pelo atual chefe do Executivo.

A presidente do Instituto Humanitas360, Patrícia Villela Marino, abriu o evento por videoconferência destacando a necessidade de diálogo sobre temas sensíveis. Já Petra Costa alertou para “linha tênue” entre religião e Estado e criticou indicações eleitorais feitas a partir de púlpitos.

Otoni de Paula declarou que seguirá se identificando como conservador, porém sem alinhamento com o “núcleo radical” associado ao ex-presidente. “Prefiro andar sozinho do que mal acompanhado”, concluiu.

Com informações de Folha Gospel