O governo da Nigéria vem sendo acusado por líderes cristãos e entidades de direitos humanos de subestimar a perseguição religiosa praticada por militantes islâmicos contra a população cristã do país.
No fim de outubro, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que pretendia classificar a Nigéria como “País de Preocupação Especial” devido à escalada da violência. Em 25 de dezembro, Trump ordenou ataques aéreos contra alvos de militantes no noroeste nigeriano. Embora tenha participado da coordenação das ofensivas, o governo de Abuja refutou a declaração do líder norte-americano de que “cristãos estão sendo mortos em grande número”.
A organização Portas Abertas coloca a Nigéria na 7ª posição entre os países que mais perseguem cristãos. Segundo a entidade, aproximadamente 3.100 cristãos foram assassinados no país neste ano, de um total de 4.476 mortes registradas no mundo inteiro. A Sociedade para as Liberdades Civis e o Estado de Direito eleva essa estimativa para 7.000 vítimas no mesmo período.
Em resposta à onda de violência, o presidente nigeriano, Bola Tinubu, decretou estado de emergência nacional no mês passado e prometeu dobrar o efetivo policial. Tinubu também sugeriu que muçulmanos estariam sendo mortos por cristãos, porém não foram apresentadas evidências significativas além de casos pontuais.
Representantes cristãos rejeitam a narrativa de que o conflito seja apenas uma disputa por terras entre pastores muçulmanos e agricultores cristãos. “Existe perseguição religiosa no norte da Nigéria, e o governo não enfrenta o problema porque vive em negação”, afirmou o reverendo John Hayab, presidente da Associação Cristã da Nigéria, em entrevista ao jornal britânico The Telegraph. “Se você nega, é como apoiar quem nos mata.”
Tiffany Barrens, diretora global de defesa de direitos da Portas Abertas International, reforçou que a motivação religiosa se tornou mais evidente. “Há dez anos, a questão era mais sobre terra e recursos. Agora, o componente religioso está claro, mas muitos têm medo de reconhecer isso por temer divisões ainda maiores”, disse.
Mais cristãos são mortos por sua fé na Nigéria do que em todos os outros países somados, segundo as duas organizações citadas, cenário que sustenta as críticas de que o Estado nigeriano estaria minimizando a gravidade da violência.
Com informações de Folha Gospel