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Médicos detalham sofrimento físico de Jesus na cruz e apontam causas prováveis da morte

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Especialistas em medicina forense, história e arqueologia vêm analisando há décadas os aspectos clínicos da crucificação de Jesus, lembrada pelos cristãos na Sexta-feira Santa. Estudos combinam experimentos laboratoriais, revisão de textos antigos e conhecimento anatômico para explicar a série de dores e complicações que levaram à morte na cruz.

Experimento simula efeitos da crucificação

No início dos anos 2000, o médico legista norte-americano Frederick Thomas Zugibe, professor da Universidade de Columbia, conduziu um ensaio com voluntários de aproximadamente 30 anos. Amarrados a uma cruz de madeira, os participantes tiveram frequência cardíaca, pressão arterial e atividade elétrica do coração monitoradas.

Com base nos resultados, Zugibe calculou que os pregos usados pelos romanos teriam cerca de 12,5 cm de comprimento e atravessariam regiões ricas em terminações nervosas, produzindo dor constante e intensa. Ele apresentou três hipóteses principais para a causa da morte de Jesus: asfixia, ataque cardíaco e choque hemorrágico.

Dificuldade extrema para respirar

O médico cristão Domingos Mantelli ressalta que o condenado ficava suspenso pelos braços, com ombros puxados para cima e tórax em posição de inspiração parcial. Para expirar e inspirar novamente, era necessário apoiar-se nos pés pregados, tracionando pernas e braços já perfurados, o que resultava em “dor excruciante e exaustão rápida”. Segundo ele, quando a vítima deixava de sustentar o peso do corpo, instalava-se uma asfixia progressiva, hipóxia e morte.

Mantelli avalia que a morte de Jesus provavelmente envolveu choque hipovolêmico por perda de sangue, somado à asfixia por exaustão e possível falência cardíaca. Ele também cita teorias de tamponamento cardíaco ou ruptura do miocárdio, explicando o relato bíblico de “sangue e água” ao ser perfurado (João 19:34), indicativo de acúmulo de líquido no pericárdio e nos pulmões.

Execução romana visava dor e humilhação

O historiador Gerardo Ferrara, da Pontifícia Universidade da Santa Cruz, lembra que a crucificação era empregada pelo Império Romano desde 217 a.C., sobretudo contra escravos e não cidadãos. A vítima era pregada nua sob sol escaldante, podendo permanecer viva por horas ou até dias, sofrendo espasmos, náuseas e circulação comprometida.

Ferrara acredita que Jesus tenha sido açoitado com um azorrague — chicote munido de bolas de metal e pontas de osso — capaz de rasgar a pele e arrancar pedaços de carne. Zugibe aponta que esse tipo de flagelação provocava hemorragias intensas, danos em órgãos internos e acúmulo de líquidos nos pulmões.

Dimensão espiritual também é mencionada

Para o arqueólogo Rodrigo Silva, além do sofrimento físico e psicológico, Jesus enfrentou angústia espiritual, explicitada pela frase “Deus meu, por que me abandonaste?”.

Embora especialistas diversem sobre o mecanismo exato que provocou a morte, há consenso de que a crucificação combinava perda maciça de sangue, comprometimento respiratório e colapso cardíaco, resultando em uma das formas mais lentas e dolorosas de execução já registradas.

Com informações de Guiame