Um cristão norte-coreano que vive na clandestinidade enviou um relato à organização Portas Abertas descrevendo um cenário de “noite sem fim” durante o inverno no país. Segundo ele, o encurtamento dos dias, o frio intenso e a falta de energia agravam a rotina já marcada por escassez de alimentos e controle estatal.
Fome e escuridão
No depoimento, o cristão afirma que a população enfrenta fome crônica, ausência de atendimento médico e, em algumas regiões, desastres naturais como enchentes. Apesar de veículos oficiais propagarem a operação de novas fábricas, muitas unidades estariam paradas, ruas permanecem às escuras e a carestia se aprofunda.
Saúde fragilizada
A diferença brusca de temperatura entre o dia e a noite provocou surtos de gripe e doenças respiratórias. Medicamentos, de acordo com o relato, são escassos e caros. Sem acesso a tratamento adequado, moradores recorrem a soluções caseiras, como ferver rabanete e gengibre com açúcar ou misturar suco de gengibre em água quente.
Vigilância permanente
Além da crise material, a população convive com monitoramento constante do governo. Atividades diárias são controladas e propagandas oficiais ocupam todo o espaço público, dificultando inclusive a prática religiosa.
Fé sob pressão
Mesmo sob risco de prisão ou morte, cristãos clandestinos dizem manter a fé. “Compreendemos que nunca devemos abandonar Cristo, nem que isso nos custe a vida”, escreveu outro seguidor. Eles atribuem a própria sobrevivência às orações e ao apoio financeiro de igrejas ao redor do mundo.
A Portas Abertas ressalta que muitos cristãos fogem do país em busca de comida e liberdade religiosa. A entidade recolhe doações para fornecer alimento, abrigo e acompanhamento pastoral a refugiados norte-coreanos.
Com informações de Folha Gospel