Uma sondagem do Pew Research Center aponta que 68% dos adultos dos Estados Unidos consideram dispensável acreditar em Deus para agir moralmente e manter bons valores. O percentual, coletado entre 24 e 30 de março de 2025 com 3.605 entrevistados, é o mais alto desde que a pergunta começou a ser feita em 2002.
Evolução da opinião nos EUA
De 2002 a 2011, o país alternava entre empate técnico ou ligeira maioria favorável à ideia de que a fé era necessária para a moralidade. A virada ocorreu em 2014, quando 58% passaram a rejeitar essa ligação. Desde 2020, cerca de dois terços dos americanos mantêm essa posição.
Cenário internacional
A mesma questão foi aplicada na primavera de 2025 a adultos em outros 24 países da Europa, África, Ásia e Américas. Em metade deles — sobretudo na Europa — a maioria também dissociou moralidade da crença em Deus.
Exceções importantes vieram da Índia e da Indonésia. Entre os indianos, a parcela que liga fé a moral subiu para 85%, seis pontos a mais que em 2019 e 15 acima de 2013. Na Indonésia, esse índice ultrapassou 96% em todas as cinco medições desde 2007.
Diferenças regionais
Em nações como Brasil, Quênia, Nigéria, África do Sul e Turquia, a maioria também associa bons valores à crença em Deus. O estudo ainda revela correlação direta: pessoas que acreditam em Deus tendem a dizer que a fé é essencial para a moral; quem não crê defende o contrário.
Na Hungria, por exemplo, dois terços dos que classificam a religião como “muito importante” veem a fé como condição para a moralidade, contra apenas 19% entre os que atribuem pouca importância ao tema.
Queda da centralidade religiosa nos EUA
Os resultados chegam em meio a dados da Gallup que mostram crescimento recorde de adultos norte-americanos sem filiação religiosa em 2025. Apenas 47% dizem que a religião é “muito importante” em suas vidas, enquanto 25% a consideram “bastante importante”. Nas décadas de 1950 e 1960, esse índice variava entre 70% e 75%; em 2012 já havia recuado para 58%.
Com informações de Folha Gospel