Jacarta (Indonésia) – Representantes católicos, protestantes, budistas e confucionistas divulgaram uma declaração conjunta exigindo que o governo central adote medidas firmes contra a crescente intolerância religiosa em todo o país.
O documento, assinado pela Conferência Episcopal Católica da Indonésia e por lideranças de outras confissões, pede que nenhum ato de violência ou intimidação a locais de culto fique impune. O grupo alerta que cada ocorrência fere o compromisso constitucional indonésio com a liberdade religiosa.
Casos recentes
O apelo ganhou força após uma série de episódios registrados nos últimos meses. Em julho, moradores da vila de Kapur, em Kalimantan Ocidental, barraram a construção de uma igreja, alegando risco à “paz e harmonia” locais. A oposição ocorreu apesar das garantias do vice-governador Krisantus Kurniawan de que a província pretende ser uma das mais tolerantes do país. O regente de Kubu Raya classificou a recusa como violação de direitos constitucionais e anunciou investigação.
Em maio, em Sungai Keledang, Kalimantan Oriental, faixas contrárias à abertura de um templo cristão foram exibidas repetidas vezes, mesmo após a congregação cumprir todas as exigências legais, incluindo apoio do Fórum de Harmonia Inter-religiosa, do Ministério da Religião de Samarinda e de dezenas de residentes.
A declaração também menciona ataques recentes a locais de culto cristãos e casos de assédio a uma escola protestante, descrevendo os templos como “espaços que devem ser preservados para paz, segurança e dignidade”.
Violência em escolas
A gravidade da intolerância ficou evidente com a morte de Khristopel Butarbutar, 8 anos, em maio, na província de Riau. Segundo o Morning Star News, o menino cristão faleceu dias após agressões de colegas muçulmanos. O pai, Gimson Beni Butarbutar, afirma que o ataque teve motivação étnica e religiosa, o que impulsionou pedidos por maior proteção a minorias nas escolas.

Imagem: Portas Abertas via folhagospel.com
Constituição e cobranças
Os Artigos 28 e 29 da Constituição indonésia garantem liberdade de religião e obrigam o Estado a proteger o culto sem discriminação. Para os líderes religiosos, esse princípio precisa se traduzir em ações concretas, tanto para resguardar congregações existentes quanto para assegurar a abertura de novos templos sem intimidação.
“Cada episódio de agressão, proibição ou interrupção da oração é um duro golpe para a construção da tolerância e da convivência pacífica”, destaca a nota. O texto conclui que qualquer ato de intimidação, violência ou restrição unilateral de atividades religiosas viola a lei e ameaça os fundamentos da vida comum no país.
Com informações de Folha Gospel