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Líderes cristãos rechaçam discurso religioso de Putin sobre guerra na Ucrânia

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Líderes de diferentes tradições cristãs contestaram as declarações do presidente russo, Vladimir Putin, que tentou enquadrar a ofensiva na Ucrânia como uma missão de caráter espiritual. Durante as celebrações do Natal Ortodoxo na semana passada, Putin descreveu os militares russos como “guerreiros” que agem “a mando do Senhor”.

O pronunciamento ocorreu em meio ao conflito que segue pelo quarto ano consecutivo e a negociações de paz ainda frágeis. Representantes ortodoxos e católicos afirmam que os ensinamentos cristãos não podem ser usados para justificar violência.

Vozes contrárias

O padre Myroslav Pushkaruk, sacerdote da Igreja Ortodoxa Ucraniana que atua em Londres, declarou ao jornal The Independent que associar poder e violência à fé cristã “não tem nada a ver com amor ou valores cristãos” e se aproxima “do Anticristo no mundo cristão”.

A Igreja Ortodoxa Ucraniana já havia rejeitado a ideologia do chamado “Mundo Russo”, que apresenta Rússia, Ucrânia e Belarus como uma única nação sagrada e tem sido usada para defender a guerra. Mais de 90 líderes religiosos reiteraram a crítica em uma conferência realizada em Helsinque.

Repercussão internacional

Organizações cristãs de alcance global também reagiram. O Conselho Mundial de Igrejas alertou repetidamente para o uso indevido da teologia cristã na legitimação da violência, conclamando as igrejas a rejeitarem qualquer linguagem que santifique o conflito.

No Vaticano, o Papa Francisco mantém posição semelhante, rejeitando a noção de que alguma guerra possa ser considerada sagrada, segundo reportagens da Reuters e do Vatican News.

Para o ex-bispo de Leeds, Nick Baines, “não se usam meios profanos para cumprir uma missão sagrada”. Já o padre Taras Khomych, sacerdote católico greco-ucraniano e professor da Universidade Liverpool Hope, defende que os esforços de paz precisam enfrentar as crenças que alimentam o conflito. “A guerra de agressão russa começou com a guerra de ideologias”, afirmou.

As declarações reforçam a posição de que conceitos espirituais não devem ser empregados para legitimar a ofensiva militar em território ucraniano.

Com informações de Folha Gospel