Home / Notícias / Justiça de Malta absolve cristão acusado de promover terapia de conversão após relatar experiência pessoal

Justiça de Malta absolve cristão acusado de promover terapia de conversão após relatar experiência pessoal

ocrente 1772739279
Spread the love

Um tribunal de Valletta, capital de Malta, declarou nesta quarta-feira, 4 de março, a inocência do cristão Matthew Grech, 33 anos, acusado de divulgar terapias de reversão da homossexualidade ao compartilhar seu testemunho de fé nas redes sociais.

A decisão foi proferida pela magistrada Monica Vella, que concluiu que a acusação não comprovou ato ou intenção criminosa. Grech estava sujeito a até cinco meses de prisão e multa de € 5.000 por suposta violação da Lei de Afirmação da Orientação Sexual, Identidade de Gênero e Expressão de Gênero.

Entrevista de 2022 motivou a denúncia

O processo teve origem numa entrevista concedida em 2022 ao programa PMnews Malta, no qual Grech, então apresentado como representante da Federação Internacional para a Escolha Terapêutica e de Aconselhamento (IFTCC), contou que abandonou voluntariamente o estilo de vida homossexual após converter-se ao cristianismo. Aos promotores, ele negou ter defendido qualquer método específico de terapia.

Os apresentadores Mario Camilleri e Rita Bonnici, também denunciados, foram igualmente absolvidos. A organização Christian Concern qualificou a medida como vitória para a liberdade de imprensa.

Aplicação retroativa da lei foi descartada

Na sentença, a juíza ressaltou que a transmissão ocorreu antes das alterações de 2023 que ampliaram o conceito de “publicidade” de terapias de conversão. Aplicar a nova redação de forma retroativa, observou ela, contrariaria princípios legais básicos.

Direitos constitucionais

A defesa argumentou que o caso feria o artigo 41 da Constituição de Malta, que protege a liberdade de expressão, e o artigo 10 da Convenção Europeia dos Direitos Humanos. O tribunal acatou a tese, reconhecendo que Grech apenas relatou experiência pessoal de fé.

Queixa partiu de ativistas LGBTQI+

A denúncia original foi apresentada pelo ativista Silvan Agius, funcionário da União Europeia para a Igualdade, acompanhado por Cynthia Chircop e Christian Attard. Eles alegaram que Grech anunciou práticas proibidas desde 2016, quando Malta se tornou o primeiro país da União Europeia a banir a chamada terapia de conversão.

Repercussão

Em declaração após o veredicto, Grech classificou a absolvição como “uma vitória para a verdade e a liberdade”, acrescentando que o processo “jamais deveria ter sido instaurado”. Ele afirmou ter enfrentado danos emocionais, financeiros e de reputação durante os três anos de tramitação.

Mike Davidson, fundador da IFTCC e da organização Core Issues Trust, testemunhou a favor do réu e disse que Grech nunca se submeteu a qualquer terapia ligada à sexualidade. Já Andrea Williams, diretora executiva do Christian Legal Centre, que auxiliou a defesa, disse que a acusação “falhou por não conseguir definir de forma coerente o que seria terapia de conversão”.

O magistrado encerrou o caso sem possibilidade de recurso por parte da promotoria.

Com informações de Folha Gospel