16 de março de 2026 – Em artigo publicado nesta segunda-feira (16), a jornalista Juliana Moreira Leite afirmou que parte da imprensa brasileira demonstra repúdio apenas agora, diante de relatos de milhões de reais em espécie e de resorts ligados ao crime que chegaram ao Supremo Tribunal Federal (STF). A autora sustenta que, quando outros fatos ocorreram nos últimos anos, o mesmo setor teria permanecido em silêncio.
Leite relembrou uma série de acontecimentos que, segundo ela, foram acompanhados pela mídia sem a mesma reação:
- avançar do poder do ministro Alexandre de Moraes sobre cidadãos comuns;
- banimento da rede social X (antigo Twitter) no Brasil e punições a empresas ligadas a Elon Musk;
- ameaças a delatores, incluindo a possibilidade de prisão de familiares, como esposa, pai e filha de 18 anos;
- inquérito que se estendeu por sete anos, ampliando o alvo conforme surgiam novos críticos;
- condenações relacionadas aos atos de 8 de janeiro, citadas como parte de uma narrativa coletiva de golpe;
- pena de 11 anos de prisão a uma mãe que escreveu com batom em uma estátua;
- multas, bloqueio de contas bancárias, cancelamento de passaportes e prisões contestadas;
- morte de Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como Clezão, sob custódia à espera de atendimento médico.
Para a colunista, o “nojo” manifestado atualmente não existia quando esses episódios se desenrolaram. “O país que hoje escandaliza alguns não nasceu de repente; foi sendo escrito, linha por linha, com o silêncio e a complacência de quem agora diz estar surpreso”, escreveu.
Juliana Moreira Leite é jornalista especializada em cultura e assina coluna de opinião em que comenta temas da atualidade.
Com informações de Pleno.News