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Israel reduz nível das relações com o Brasil após críticas de Lula e ampliação de tensões diplomáticas

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O Ministério das Relações Exteriores de Israel anunciou na segunda-feira, 25 de agosto de 2025, que irá rebaixar as relações diplomáticas com o Brasil. A medida foi tomada depois de o Itamaraty, segundo o governo israelense, não responder à indicação de um novo embaixador de Israel para Brasília.

A decisão ocorre em meio a uma série de atritos recentes entre os dois países. Em fevereiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou Israel de cometer genocídio na Faixa de Gaza, comparando a situação ao Holocausto. Após as declarações, o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, classificou a fala de Lula como “vergonhosa” e afirmou que o presidente brasileiro “desonrou a memória dos seis milhões de judeus mortos pelos nazistas”. Na sequência, Lula foi declarado persona non grata por Israel.

As tensões aumentaram quando o Brasil decidiu, de forma oficial, apoiar o processo movido pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça (CIJ), em Haia, que acusa Israel de genocídio. Em julho, o governo brasileiro também se retirou da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), grupo do qual era membro observador desde 2021.

Outro ponto de fricção é a relação do Brasil com o Irã, país que mantém histórico de ataques contra alvos israelenses e é acusado de violações de direitos humanos. O Brasil pertence ao Brics ao lado do Irã e não tem embaixador em Israel desde a retirada do diplomata brasileiro no ano passado.

No campo interno, o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, tem sido criticado por parlamentares israelenses. O ex-chanceler escreveu o prefácio de um livro que defende o grupo Hamas e, ao comentar o ataque de 7 de outubro de 2023, declarou que a ação ocorreu “depois de anos de tratamento discriminatório” contra palestinos em Gaza e na Cisjordânia.

Nesta terça-feira, 26 de agosto, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, afirmou que Lula “desrespeitou a memória do Holocausto” e exibiu “sua verdadeira face antissemita”. Katz disse ainda sentir “vergonha pelo maravilhoso povo brasileiro” diante da postura do presidente.

Diplomatas dos dois países veem o atual impasse como a mais grave crise bilateral desde o início das relações formais, que completam sete décadas em 2025.

Com informações de Pleno.News