Teerã vive desde o fim de 2025 a quarta grande onda de manifestações em 17 anos — as anteriores ocorreram em 2009, 2019 e 2022. A mobilização atual, que se estende por 2026, combina crise econômica sem precedentes e contestação direta à estrutura teocrática instalada após a Revolução de 1979.
Economia em colapso
O estopim dos protestos foi o agravamento da situação financeira do país. A inflação oficial superou 40% e o rial atingiu mínima histórica, cotado a 1,45 milhão por dólar. A forte desvalorização corroeu o poder de compra da população e intensificou o descontentamento popular.
Alvos dos manifestantes
Diferentemente de levantes anteriores, que pediam reformas dentro do sistema, os atos atuais questionam a própria base do regime. Slogans como “Morte ao Ditador” e “Javid Shah” (“Longa vida ao Rei”) refletem o esgotamento da legitimidade clerical e até a defesa do retorno à monarquia derrubada em 1979.
Estrutura de poder
O Irã é governado pelo princípio da velayat-e faqih — conceito expandido pelo aiatolá Ruhollah Khomeini para conceder autoridade política total a um jurista islâmico. Hoje, esse poder está concentrado no Líder Supremo, aiatolá Ali Khamenei, que detém a palavra final sobre todos os assuntos do Estado.
Pressões internas e externas
A frustração popular foi intensificada pela falta de respostas às reivindicações de 2022, desencadeadas pela morte de Mahsa Amini sob custódia policial. Além disso, sanções internacionais renovadas e o breve conflito com Israel em junho de 2025 reduziram a margem fiscal do governo, aprofundando a crise de governabilidade.
Analistas observam que a combinação de colapso econômico, isolamento diplomático e rejeição popular coloca em xeque a capacidade do aparato teocrático-coercitivo de manter a estabilidade interna.
Com informações de Pleno.News