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Indonésia prende líder cristão por vídeo no TikTok sobre Maomé

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Jacarta – A polícia da Indonésia prendeu, em 18 de fevereiro, o líder cristão Dedi Saputra, acusado de discurso de ódio e difamação religiosa após publicar comentários sobre o profeta Maomé em sua conta no TikTok.

Saputra, ex-muçulmano que atua em uma igreja da vila de Suka Maju, distrito de Sungai Betung, província de Kalimantan Ocidental, foi detido quando retornava para casa de motocicleta com a esposa, Etfy. Segundo o portal Serambinews.com, agentes da província natal do religioso, Aceh, interceptaram o casal, obrigaram‐nos a parar e conduziram a mulher até a igreja, já que ela não dirige.

O líder cristão passou pela Delegacia de Bengkayang e pelo Quartel‐General da Polícia Regional de Pontianak antes de ser transferido, em 20 de fevereiro, de avião, para o Quartel‐General da Polícia Provincial de Aceh. Ele permanece no Centro de Detenção da Polícia Regional de Aceh.

Acusações e base legal

A prisão decorre de vídeos publicados na conta @tersadarkan5758, visualizados cerca de 1,9 milhão de vezes. Nos conteúdos, Saputra afirma que Maomé teve apenas uma esposa antes da revelação profética e entre 11 e 13 esposas posteriormente – informação que gerou forte reação de grupos islâmicos.

Autoridades e organizações muçulmanas acusam o religioso de violar a Lei de Informação e Transações Eletrônicas da Indonésia (ITE) e artigos do Código Penal Indonésio (KUHP) relativos a discurso de ódio religioso. O caso foi registrado pela Polícia Regional de Aceh em 4 de novembro passado, após reunião de representantes do governo local e entidades islâmicas.

Debate sobre blasfêmia e liberdade religiosa

O Centro de Estudos e Tradições Inter‐religiosas (CFIRST) pediu neutralidade policial e proteção a Saputra, lembrando que o novo Código Penal, em vigor desde 2 de janeiro, não mantém o artigo sobre blasfêmia. Para o diretor da entidade, Arif Mirdjaja, o processo pode criar precedente negativo para a liberdade religiosa.

Nas redes sociais, internautas questionaram a atuação da polícia, enquanto o Instituto de Assistência Jurídica Ahavah nomeou o advogado Deni Febrianus Nafi para defender a família Saputra.

A província de Aceh, situada no extremo norte de Sumatra e com autonomia para aplicar a sharia, possui maioria muçulmana e cerca de 1,5% de cristãos, segundo dados oficiais.

Com informações de Folha Gospel