Serviços de inteligência e a Guarda Revolucionária do Irã intensificam a vigilância sobre cristãos convertidos, vasculhando computadores, celulares e outros dispositivos de fiéis detidos para mapear todas as pessoas com quem eles mantêm contato. As informações são da organização de direitos humanos Article 18.
Segundo Mansour Borji, diretor da entidade, interrogatórios incluem ameaças às famílias dos detidos para que revelem nomes de outros cristãos. O governo também treina agentes para se infiltrar em igrejas que funcionam em casas, fingindo interesse pela fé para identificar locais de reunião e participantes.
Medidas de proteção
Diante da possibilidade constante de espionagem, comunidades optam por cautela ao receber novos interessados. De acordo com o cristão iraniano Mehrdad (nome fictício), pessoas solteiras costumam fazer o primeiro contato, preservando quem tem cônjuge e filhos. “Muitas conversas ocorrem antes de alguém ser convidado para a igreja doméstica”, afirma.
O pastor Iman relata que, em várias ocasiões, grupos conseguiram perceber tentativas de infiltração quando suspeitos repetiam frases decoradas, sem demonstrar convicção pessoal. “Deus nos guiou para reconhecer essas pessoas”, afirma.
Reuniões sob risco
A tensão acompanha cada encontro. “Não podemos cantar alto nem levantar as mãos; vivemos com medo de batidas à porta”, diz Mehrdad. Planos de fuga são preparados antecipadamente e materiais como Bíblias e computadores precisam desaparecer rapidamente caso as autoridades cheguem.

Imagem: Canva Pro
Mesmo assim, os fiéis continuam se reunindo. Para eles, o momento de comunhão funciona como alívio em meio à pressão. “Ver outros cristãos é como sentir o sol no rosto dentro de uma prisão. Dá força e esperança”, conclui Mehrdad.
Com informações de Folha Gospel