O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato ao Palácio do Planalto em 2026, ampliou nas últimas semanas o diálogo com dirigentes de grandes denominações evangélicas para consolidar uma base de apoio eleitoral. O parlamentar já acertou participação em um culto da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, no Rio de Janeiro, marcado para 3 de maio, ao lado do pastor Silas Malafaia.
A aproximação com Malafaia, iniciada em março, marcou o fim de um período de distanciamento. Embora o pastor tenha manifestado preferência inicial por uma chapa encabeçada pelo governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) com Michelle Bolsonaro como vice, ele sinalizou que apoiará Flávio após o prazo de desincompatibilização.
Filiações e novas alianças
Como parte da estratégia, o deputado federal Cezinha de Madureira (SP) — ligado à Assembleia de Deus Ministério de Madureira — filiou-se ao PL. A movimentação é vista como passo para uma eventual candidatura ao Senado por São Paulo e fortalece o vínculo do partido com um dos maiores grupos pentecostais do país.
O senador também conquistou o respaldo da Assembleia de Deus Ministério do Belém, que tem forte presença no estado paulista. Segundo interlocutores do PL, os próximos alvos são as igrejas do Evangelho Quadrangular e a Igreja Universal do Reino de Deus, liderada pelo bispo Edir Macedo. A avaliação é de que, somadas, essas cinco denominações podem garantir expressiva fatia do eleitorado.
Cenário favorável
Durante visita recente à Assembleia de Deus Ministério do Belém, Flávio foi ungido pelo pastor José Wellington Bezerra da Costa, que pediu a eleição do senador. Pesquisas do instituto Datafolha, realizadas em março, indicam que Flávio já detém o dobro das intenções de voto entre evangélicos em comparação a outros pré-candidatos.
Reuniões com líderes da Quadrangular devem ocorrer ainda em abril, e há expectativa de encontro com Edir Macedo. A Universal, que vinha mantendo distância de negociações eleitorais, organizou grandes cultos em estádios na Sexta-Feira da Paixão para demonstrar força.
Movimentos do Planalto
Em paralelo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta reduzir a distância com o segmento religioso. Em outubro passado, Lula recebeu Cezinha de Madureira e o bispo Samuel Ferreira no Palácio do Planalto para um momento de oração. No mês seguinte, o petista promoveu evento com pastores para celebrar a sanção do Dia Nacional da Música Gospel.
Lideranças evangélicas, porém, avaliam que o governo federal ainda oferece pouca abertura ao grupo, o que teria facilitado o avanço de Flávio. A repercussão negativa do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que ironizou conservadores no Carnaval deste ano, foi citada por políticos ligados ao segmento como sinal de falta de interlocução com conselheiros evangélicos.
Enquanto busca ampliar pontes, o Planalto acompanha a ofensiva do PL no meio religioso. Aliados de Flávio veem no cenário atual uma oportunidade para carimbar o senador como principal representante da direita e herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Com informações de Folha Gospel