Um levantamento recente indica que centenas de cristãos permanecem detidos no Paquistão sob acusação de blasfêmia, crime punido pelas leis locais com penas que variam de 10 anos de prisão à morte.
De acordo com o relatório Hope Behind Bars, da Comissão Nacional para Justiça e Paz (NCJP), mais de 700 cristãos aguardam execução, enquanto muitos outros seguem presos sem previsão de liberação.
Condições nas prisões
O estudo relata que esses detentos enfrentam tratamento cruel, falta de higiene e discriminação constante. Um grupo de 100 cristãos, condenado em 2015 por supostamente linchar dois muçulmanos e depredar propriedades, foi mantido em uma cela destinada anteriormente a pacientes com tuberculose. Eles eram obrigados a beber água em recipientes de banheiro e a limpar as mãos nas paredes, por falta de sabão. Cobertores e itens básicos foram negados, enquanto outros presos recebiam o material normalmente.
Possibilidade de redução de pena
A legislação paquistanesa admite diminuir sentenças para quem memoriza o Alcorão ou cumpre o jejum do Ramadã, mas muitos cristãos optam por permanecer firmes em sua fé, mesmo diante de punições rigorosas.
Acusações contestadas
A Comissão dos EUA sobre Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF) classifica as leis de blasfêmia do Paquistão como as segundas mais severas do mundo, atrás apenas das do Irã. Segundo o Christian Daily International, inúmeras denúncias contra cristãos carecem de provas e ocorrem sem audiências adequadas, o que leva a condenações consideradas arbitrárias.

Imagem: reprodução
Casos emblemáticos
Em 25 de junho, o cristão Ankwar Kenneth, de 72 anos, foi absolvido pela Suprema Corte após passar 23 anos no corredor da morte. A defesa sustentou que ele apresentava distúrbios mentais, argumento acatado pelos magistrados, que determinaram sua libertação ao declarar que pessoas com instabilidade psicológica não podem ser responsabilizadas criminalmente.
A maioria dos processados por blasfêmia pertence a minorias religiosas, principalmente cristãos e hindus, grupo que continua convivendo com incertezas e prolongado sofrimento dentro do sistema penitenciário paquistanês.
Com informações de Folha Gospel