Abuja, Nigéria – Vinte e quatro alunas levadas de uma escola pública feminina no estado de Kebbi, noroeste do país, foram soltas no domingo (25) depois de uma operação que reuniu polícia, Exército e grupos de vigilância locais. Elas faziam parte de um sequestro em massa ocorrido em 17 de novembro, um entre vários ataques que, na última semana, deixaram centenas de pessoas ainda em cativeiro em diferentes regiões nigerianas.
Invasão ao amanhecer
Os criminosos invadiram a Escola Secundária Feminina do Governo, na comunidade de Maga, por volta das 4h. Durante o ataque, o vice-diretor foi morto e um segurança ficou gravemente ferido, vindo a falecer no hospital. Duas estudantes conseguiram fugir no mesmo dia; as demais só ganharam liberdade oito dias depois, quando forças de segurança cercaram a área.
Sequestro em massa no estado de Níger
A libertação em Kebbi ocorreu poucos dias após um ataque ainda maior: na sexta-feira (22), homens armados invadiram a Escola Católica de Santa Maria, em Papiri, estado de Níger, e levaram 303 alunos e 12 funcionários. Até sábado (23), 50 crianças haviam escapado. O governo estadual fechou todas as escolas e ninguém reivindicou a ação.
O episódio teve repercussão internacional. O Papa Leão XIV pediu a liberação dos reféns durante a missa de domingo na Praça de São Pedro. Já o presidente nigeriano, Bola Tinubu, declarou que “todo cidadão tem direito à segurança” e prometeu resgatar todos os sequestrados.
Outros ataques na mesma semana
No domingo (24), combatentes do Estado Islâmico da Província da África Ocidental sequestraram 13 adolescentes que colhiam plantações em Mussa, distrito de Askira-Uba, estado de Borno; uma delas escapou. Na segunda-feira (25), oito moradores – seis mulheres e dois homens – foram levados da vila de Biresawa, estado de Kano. Na terça-feira (26), autoridades confirmaram a morte do reverendo James Audu, raptado em 28 de agosto em Ekati, estado de Kwara, após negociações fracassadas sobre pagamento de resgate.
Críticas e apelos
Scot Bower, diretor-executivo da Christian Solidarity Worldwide (CSW), elogiou a ação em Kebbi, mas questionou a falta de informações sobre a punição aos sequestradores. A Conferência Episcopal Católica da Nigéria, por sua vez, cobrou medidas mais firmes do governo e mencionou outros episódios violentos, como o assassinato de mais de 70 pessoas no estado de Taraba.
Os bispos também denunciaram a destruição de igrejas, dificuldades para obter terrenos no norte do país e o fortalecimento de tribunais da sharia. Paralelamente, o Tribunal de Justiça da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental iniciou a execução de decisão que exige a revisão das leis de blasfêmia em Kano, visando adequar a legislação local a tratados de direitos humanos.
Com informações de Folha Gospel