Jang*, cristão que vivia em Changbai, cidade chinesa próxima à fronteira com a Coreia do Norte, foi libertado em 5 de novembro de 2025 depois de passar 11 anos em uma prisão norte-coreana.
Antes de ser detido, Jang oferecia comida, medicamentos e abrigo temporário a norte-coreanos que cruzavam a fronteira em busca de ajuda, além de compartilhar sua fé em Jesus. Ele desapareceu em novembro de 2014, após ir até um rio na divisa para atender pessoas que haviam telefonado pedindo socorro.
Levado para território norte-coreano, o cristão foi condenado a 15 anos de prisão sob acusações de difamar o regime e tentar incitar a subversão, motivadas por seu trabalho evangelístico entre refugiados. O caso ganhou repercussão internacional, especialmente após o assassinato, em 2016, do pastor Han Chung-Ryeol*, colega de ministério de Jang.
Segundo o site Prisoner Alert, Jang já está com a família na China, porém apresenta grande desgaste físico e mental. Libertações antes do fim da pena são raras para prisioneiros detidos por razões religiosas na Coreia do Norte.
Três missionários sul-coreanos continuam encarcerados no país, sem que o governo forneça qualquer informação sobre suas condições de saúde ou paradeiro. Os nomes dos religiosos nunca foram divulgados oficialmente.
A Portas Abertas estima que entre 50 mil e 70 mil cristãos norte-coreanos estejam detidos em campos de trabalho ou prisões apenas por possuir uma Bíblia, participar de reuniões de culto ou manter contato com cristãos estrangeiros. Relatos indicam que as condições nesses locais são precárias e frequentemente letais.
Para Simon Lee*, integrante da Portas Abertas na região, a libertação de Jang é um incentivo para continuar intercedendo pelos que permanecem presos. A organização lembra que outros cristãos ainda atuam na fronteira sino-norte-coreana, prestando assistência humanitária e apoio pastoral a refugiados.
*Nomes alterados por segurança
Com informações de Folha Gospel