São Paulo – A organização humanitária britânica Christian Aid advertiu que o número de mortes por fome na Faixa de Gaza deve aumentar caso a guerra não seja interrompida rapidamente e a entrada de ajuda humanitária seja liberada sem restrições.
Segundo a entidade, 269 pessoas já morreram por inanição no território, entre elas 112 crianças. O alerta foi emitido após a Classificação Integrada de Segurança Alimentar (IPC), mecanismo apoiado pela ONU, declarar nesta semana estado de fome na Cidade de Gaza, classificando a situação como “inteiramente provocada pelo homem”. O relatório do IPC citado pelo jornal The Telegraph aponta que mais de meio milhão de moradores enfrentam condições “catastróficas, caracterizadas por fome, miséria e morte”.
O governo de Israel contestou a avaliação. “Israel não tem uma política de fome”, afirmou o primeiro-ministro israelense, reagindo à declaração do IPC.
Para Katie Roxburgh, gerente de programas da Christian Aid para Israel e territórios palestinos ocupados, a constatação oficial apenas confirma o cenário já vivido pela população local. “O povo de Gaza sabia que estava passando fome”, declarou. Roxburgh citou relatos de colegas que sobrevivem com “uma pequena tigela de sopa de lentilha por dia” e descreveu casos de familiares desmaiando por exaustão e perdendo cabelo devido à desnutrição.
A representante atribuiu o agravamento da crise ao bloqueio imposto por Israel e criticou as operações militares para retomar a Cidade de Gaza. “É inaceitável iniciarmos ações militares em uma cidade devastada pela fome, desalojando quase um milhão de pessoas e expondo-as a imenso perigo”, afirmou.

Imagem: Christian Aid via folhagospel.com
A Christian Aid lançou um apelo emergencial e convocou apoiadores a participar da campanha #FastforGaza, sugerindo um jejum de 24 horas, ou outro período escolhido, uma vez por semana, como forma de solidariedade.
A entidade teme que, sem um cessar-fogo e permissão irrestrita para a entrada de mantimentos, “centenas de outras pessoas pereçam desnecessariamente” nas próximas semanas.
Com informações de Folha Gospel